Novembro / 2002

Os zumbis voltam à ativa


Capa do novo disco da Nação Zumbi

Por Aquiles Lopes



Em 1992, liderada por Chico Science, a Nação Zumbi aparecia pela primeira vez, com o antológico Da Lama ao Caos, o mais importante disco do pop nacional dos anos 90. Dez anos depois a Nação volta a botar azeite na fervura com um CD chamado simplesmente Nação Zumbi, o terceiro sem Chico e o primeiro sem o percussionista Gira, que decidiu largar a banda. O novo trabalho é um espanto, pelo menos para quem estava acostumado à tradicional pegada do maracatu envenenado. O disco é uma viagem encabeçada pelo guitarrista Lúcio Maia e pelo vocalista Jorge Du Peixe, os dois integrantes mais ligados à música eletrônica.

Desde a morte de Chico, em 1996, Jorge assumiu os vocais, mas, é lógico, sem a mesma força e carisma. Mesmo assim Du Peixe se mostra bem esforçado na nova função e até lembra Science no melhor momento do CD, a excelente "Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada". A música tem muito peso, com molho eletrônico e já estourou nas rádios aqui de Pernambuco e, é claro, no Burburinho, bar da rua da Moeda que abriga os bons bebedores desta cidade e para onde eu estou indo, assim que terminar estas mal-traçadas linhas.

O outro som batido no CD é "Tempo Amarelo", música feita para o filme pernambucano Amarelo Manga, de Cláudio Assis. Em algumas faixas o baixinho Toca Ogam também assume o microfone. Quem curte a música dos pernambucanos deve lembrar dele fazendo um maneiríssimo arranjo vocal em "Manguetown". Mais uma vez o CD está cheio de participações especiais, como o percussionista Catatau, o DJ Marcelinho e da cantora Nina Miranda, da banda Smoke City. A melhor participação de todas, no entanto, é a de Cila do Coco, que canta em "Caldo de Cana".

A Nação mudou, ganhou uma estética eletrônica, mas sem afetações -palavra que não gosto de usar, porque sou cabra da peste. Apesar da levada ácida o grupo continua mostrando habilidade e, acima de tudo, talento. Muito bom pra ouvir tomando uma cerveja, antes do... bom, aí você escolhe a seqüência.

Tacadinhas!
* A moçada da Zona da Mata, região canavieira de Pernambuco, está mostrando a cara para os boyzinhos da capital. Os matutos que atacam desta vez fazem parte do Trufas, uma banda da aprazível cidade de Goyanna, uma das mais legais do interior. A rapaziada liderada por Sir Wilfred Gadêlha Jr, um valoroso companheiro de conversa fiada e cervejas geladas, que apesar do pomposo nome inglês, tem voz de cantador de feira. Pra conferir este só vindo aqui...

* Nem só desse papo de raiz, que é coisa de plantador de macaxeira (aipim, gente, aipim) [N. das E.: mandioca, pô], vive esta fedida e bela capital nordestina. A moçada do Badminton se prepara para lançar a primeira fita-demo, que deve sair no começo do ano que vem. O crooner, que atende pelo nome de Felipe Podrêra, larga a voz tanto nas músicas mais pesadas, quanto em gréias como Footloose.

* Mudando um pouco de assunto, vale a pena a galera dar uma sacada no site www.anasantiago2.hpg.com.br. no endereço você vai encontrar os trabalhos de uma das mais talentosas artistas plásticas da nova geração. Ana pinta sobre chapas de aço, num trabalho forte e inovador. Inda outro dia ela mostrou suas mais recentes obras na exposição Duas Rodas, feita sobre bicicletas que conceituava o veículo mais antigo do mundo, desde Leonardo da Vinci às modernas bikes de titânio.

 

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