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15.10.03
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Entre as nuvens, uma estrela Por Bárbara Lopes
"Não diga que as estrelas estão mortas / só porque o céu está nublado". Ou, em uma interpretação livre, mesmo que as rádios, imprensa ou público ainda não vejam com clareza, estão em atividade compositores jovens e brilhantes. O catarinense radicado em Alagoas Wado talvez seja o melhor exemplo disso. Aos 26 anos, ele já tem dois discos lançados, ambos muito elogiados pela crítica especializada. E vai desbastando as barreiras - é uma das atrações do primeiro do Tim Festival, no palco Lab, ao lado de Los Hermanos e Lambchop.
Sua estréia, O Manifesto Da Arte Periférica, de 2001, levanta "a bandeira da diversidade, dos compositores de bairros distantes", de uma arte feita com recursos precários. Neste álbum, Wado já iniciava o diálogo entre samba, Clube da Esquina, rock, funk, que se aprimoraria no trabalho seguinte, Cinema Auditivo, de 2002. Amarrando as canções desse segundo registro, está a idéia de remeter imagens através da música. Modernizando a música brasileira, Wado se apresenta: "não sou da raiz nem diluidor".
* As citações acima foram retiradas de letras d'O Manifesto Da Arte Periférica.
No show do festival com:tradição, você apresentou algumas músicas novas. Aparentemente, a veia "Clube da Esquina" está menos acentuada. É isso mesmo? Quando sai e como vai ser o próximo disco?
Os outros dois discos eram amarrados por conceitos. Esse novo material também vai seguir esse padrão?
Você acabou se tornando o embaixador da música alagoana no resto do país. No entanto, sua música é mais brasileira (samba, música mineira, Jorge Ben) que presa a regionalismos. Como você lida com essa dicotomia?
Você consegue enxergar algo que una esses nomes de Alagoas, que têm propostas musicais diferentes?
O momento atual parece propício para artistas que fazem o que se convencionou chamar MPB, por uma geração que até então se enveredava pelos caminhos do rock e, mais recentemente, da eletrônica. Você tem teorias para explicar essa redescoberta da música brasileira?
De qualquer forma, mesmo sem conseguir viver disso, vários artistas vêm conseguindo reconhecimento da crítica e de uma parcela do público.
E você, que aos 26 anos já tem elogiados dois discos nesse caminho, como chegou a essa sonoridade?
Fala um pouco mais sobre o papel do Juninho.
Você se define como "artista do precário". Se tivesse condições ideais para produzir os discos, o que vc mudaria? Como eles soariam? |
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