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22.01.04
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Ruídos perfeitos Por Diego Fernandes, Guilherme Darisbo e Katia Abreu
Através de ambiências esparsas e rascunhos expostos com um esmero exemplar, mostra a vasta e diversificada coleção de discos do multiinstrumentista - em primeiro plano fartas doses do arsenal IDM/pós-rock do Tortoise, easy listening a la Milton Banana Trio e o quase-muzak do Modern Jazz Quartet. Teclados, baixos, baterias (eletrônicas ou não), trompete aqui e ali, guitarras sincopadas, diálogos incidentais e ruídos diversos formam uma colagem de sons, em que os instrumentos aparecem e vão embora como se estivessem passeando, criando a música por sobreposição de camadas. Nenhuma palavra precisa ser dita. Nem mesmo para dar nome às 12 faixas que preenchem os 42 minutos do álbum. Apenas sons criando uma estranha impressão de unidade em meio ao aspecto um tanto caótico do disco. M.Takara é um trabalho que transparece muitas e muitas horas trancafiadas num estúdio em busca do ruído perfeito, das combinações falsamente aleatórias intrincadas que resultam num som quase acessível. Experimental? Talvez à primeira vista, apenas. Requer alguma paciência e um arranhar de superfície um pouco mais demorado do que o normalmente exigido. Na entrevista abaixo, o músico comenta seus projetos, o processo de composição de seu disco solo, suas referências musicais e a experiência de fazer um álbum split com o Eternals.
Katia: Você toca em n projetos. Em M.Takara temos elementos de pós-rock, eletrônica experimental e dub. Você o vê como uma síntese desses seus trabalhos anteriores? Como foi a concepção deste disco?
Darisbo: Hurtmold, Instituto, com quem mais tu está tocando hoje?
Darisbo: Tu falou em um porta-estúdio, mas o disco não foi gravado todo ali, ou foi? Tinha à mão também o estúdio do Instituto, tinha o El Rocha, chegou a fazer gravações em estúdio? Todos os instrumentos foram gravados por ti ou alguma base foi gravada com convidados (alguém do Hurtmold, ou o Jon Gall, por exemplo)? Até aonde tu chegou a usar eletrônica no disco? Tem muita edição ali (em algumas músicas, fico em dúvida se a bateria é eletrônica ou tocada, mas editada). Enfim, fala do processo de gravação, nesses dois anos que tu passou preparando o disco.
Darisbo: Diferente como? Mudou o processo de gravação, mudou a estrutura das músicas, as duas coisas, ou o quê?
Katia: E essas músicas novas em que você está trabalhando vão entrar em disco novo do Hurtmold ou outro trabalho solo? Que podemos esperar da tua produção (seja com a banda ou sozinho) para 2004?
Darisbo: Esse teu show solo, como vai ser? Como tu pensa em adaptar o som do CD pra show? Quem vai tocar contigo?
Diego: Tanto no teu trabalho solo quanto no mais recente do Hurtmold, o que temos é música essencialmente instrumental. No caso do Hurtmold, foi uma progressão, vocais sendo limados sucessivamente até resultar no EP com o Eternals, isento de palavras cantadas. Algumas pessoas [e eu me incluo entres essas pessoas] acham que a idéia de música instrumental encerra em si mesma uma espécie de carta de intenções, uma declaração de musicalidade própria, expressa unicamente no desenrolar e nos termos da própria música. Tu concorda com isso, ou simplesmente acha que vocais não cairiam bem NESSAS canções?
Diego: Se tivesse que perfilar (em termos de intenção e resultado) teu trabalho e mesmo o do Hurtmold com o de outros artistas, quais seriam? E por que motivos específicos?
Darisbo: Mas e artistas nacionais próximos do Hurtmold, que façam algo em comum, configurem algo como uma "cena", ou mesmo uma "turma". No udigrudi (ou não) nacional, quem tem a ver com o Hurtmold?
Katia: A idéia do split com o Eternals, como surgiu? Não é complicado dividir um disco com outro artista? Neste disco, especificamente, é muito clara a "quebra", quando acaba o Hurtmold e começa o Eternals. Não se perde a noção de álbum nesse tipo de trabalho? Como você avalia essa experiência?
Darisbo: As músicas do Split, então, foram gravadas depois do Cozido? Ouvi falar que eram sobras de estúdio das sessões do Cozido, mas acho a sonoridade diferente, a bateria aparecendo mais, tudo mais grooveado.
Darisbo: E o selo deles, o Aesthetics? O split foi lançado por eles lá fora, também? Ou, se não, rolou algum esquema de distribuição? |
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