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15.08.04
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Quanto mais gente melhor Por Juliana Zambelo
Neste mês, há dois supergrupos em destaque. São dois álbuns que chegam às lojas com uma enorme lista de créditos e muitas bocas para alimentar. É pouco provável que eles cheguem a fazer fortuna suficiente para enriquecer cada um de seus integrantes, mas a qualidade de Together We're Heavy, do Polyphonic Spree, e do disco homônimo do Concretes é definitivamente proporcional ao número de pessoas envolvidas nesses dois projetos. Por isso, o Polyphonic Spree sai na frente. Esse coletivo de Dallas conta com mais de vinte membros, que vestem togas e tocam instrumentos como flauta e trombone. A grande massa humana, no entanto, compõe o coral, aquele fator tão estranho ao universo pop que atraiu a atenção do mundo há dois anos. A figura central dessa família é Tim DeLaughter, que faz as músicas e coordena o grupo. O primeiro trabalho, Beginning Stages Of Polyphonic Spree lançado em junho de 2002, foi gravado sem muita pretensão em poucos dias. Mas resposta foi tão boa que o Polyphonic se viu pressionado a consolidar uma formação e improvisar um repertório para shows. Desde esse momento, e com muito mais cuidado e dedicação, DeLaughter veio preparando o segundo álbum. As canções do primeiro disco foram compostas por Tim no violão. A base de Together We're Heavy já é outra: um piano que ele aprendeu a tocar ao mesmo tempo em que escrevia as novas músicas. A diferença não foi pequena. Arranjos e melodias ficaram mais complexos e deixaram de seguir a guitarra, que abandonou o papel de destaque para fazer uma ponta na retaguarda. Ela domina brilhantemente a primeira faixa, mas é às custas das mais de dez vozes e de piano, violino, cello e metais que o peso do Polyphonic se mantém em todo o álbum. A harpa aparece nos momentos certos para dar um toque celestial ao disco. O supergrupo está intimamente relacionado a Beach Boys. Musicalmente, a semelhança está na combinação perfeita de instrumentos, nas melodias cheias de degraus e reveses e na beleza que resulta do uso de elementos sofisticados em canções pop. Além disso, o Polyphonic reprisa a tensão entre otimismo e melancolia, balanceando sentimentos tristes e incômodos com mensagens de esperança. É quase uma injustiça apontar preferidas entre as dez de Together We're Heavy, um disco especial do primeiro ao último minuto. Mas a seqüência "Hold Me Now" / "Diamonds/Mild Devotion To Majesty" / "Two Thousand Places" é um dos momentos mais inspirados do ano.
Esse, que é o primeiro álbum do Concretes após nove anos de carreira, está mais para Jesus and Mary Chain, com suas melodias doces executadas de modo lo-fi. O diferencial está no uso de instrumentos como sax, banjo, pandeiro e bastante trompete, que são colocados nas canções displicentemente. Mas apesar da aparente preguiça, o resultado tem graça e simpatia - e isso é, provavelmente, a intenção do supergrupo. A banda se apresenta como uma democracia, mas um destaque natural recai sobre a vocalista Victoria Bergsman. Sua voz, mistura da candura de Nina Persson, do Cardigans, e da infantilidade da Cerys Matthews, do Catatonia, é o que se sobressai desde a primeira audição do álbum. Outro detalhe importante são os teclados cafonas, que dão charme a algumas das melhores canções, como "Warm Night" e a preciosidade pop "You Can't Hurry Love". Só existe voz e um piano martelado irritante em "Foreign Country", uma bobagenzinha deliciosa de menos de dois minutos. E é nas boas "New Friend" e "This One Is For You" que o Concretes mais se aproxima do minimalismo do Mazzy Star e das baladas do Velvet Underground. O CD foi lançado na Europa pelo selo da própria banda, chamado Licking Fingers, tendo sido acolhido em seguida pela Astralwerks - lar de Beta Band, Chemical Brothers e Placebo. Polyphonic Spree faz parte do elenco do também pequeno Hollywood Records. Não há previsão para lançamento de nenhum desses dois discos no Brasil. |
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