Maio / 2003

Diversão total

Por Babi Lopes e Katia Abreu

Françoise Cactus e Brezel Göring

No fim do show do Stereo Total em São Paulo, o público invadiu o palco. Foi o ápice do clima de diversão que marcou toda a passagem do duo franco-alemão pelo Brasil. Na turnê que também passou por Londrina, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Goiânia e Rio de Janeiro, Françoise Cactus e Brezel Göring apresentaram seu pop-rock com influências de música francesa e punk, em roupagem eletrônica. O pretexto foi o lançamento da coletânea Party Anticonformista pela Bizarre Music, que traz 29 músicas - entre elas, a versão em português para "L'Amour À Trois". A simpatia dos dois em palco se repetiu durante a entrevista, poucas horas antes da apresentação paulistana, no camarim do Sesc Pompéia.


Quais eram as expectativas de vocês em relação às apresentações no Brasil e o que vocês realmente encontraram por aqui?
Françoise - Nós achávamos que ninguém conhecia nossa música por aqui, então ficamos surpresos que algumas pessoas conhecessem, e nos concertos cantassem conosco. Eu achei que ia ser completamente diferente, mas na verdade as coisas não são tanto. Quando olho as pessoas e elas estão interessadas na música, é da mesma forma em todo o mundo. Vocês são realmente muito amigáveis e calorosos, vocês gostam de dançar e tal. Quando vamos a países frios, não é desse jeito.

Brezel - Eu não estava esperando nada, para não me desapontar. Mas, quando chegamos aqui eu gostei bastante. Eu não conheço muito da arte de vocês, não conheço muito do Brasil porque é muito longe, do outro lado do mundo, da Alemanha. Mas é um país muito legal, com muitas coisas acontecendo. Descobri coisas que eu não conhecia, como bandas brasileiras que eu nunca tinha ouvido, ou, como em qualquer país que você visite, você descobre pessoas fazendo roupas, pessoas fazendo música ou fotos ou arte ou qualquer outra coisa e você se surpreende com tantas coisas acontecendo e quão boas elas são, e quanto você perdeu nesse tempo todo...

A música de vocês tem influência de muitas coisas, como a canção francesa, o pop bubblegum, a eletrônica... e isso é bastante próximo da cena japonesa de Shibuya. Vocês têm ligações formais com essa cena (proximidade com os músicos etc)?
Françoise - Sim, nós fomos convidados a tocar no Japão há alguns anos e passamos por Shibuya [leia matéria], conhecemos Fantastic Plastic Machine, o cara do Pizzicato Five. E temos alguma ligação com Kahimi Karie. Ela é uma cantora japonesa, que canta com uma voz muito suave e baixinha [Françoises sussurra]. Fizemos algumas músicas para ela. Acho que temos algumas conexões com essa cena japonesa...

E o Momus, que considera vocês a melhor banda de pop do mundo?
Françoise - Sim... sim... somos melhores amigos. Tocamos duas vezes com ele nos Estados Unidos, há um ano, acho... e agora ele vive em Berlim.

E como foi?
Françoise
- Foi bacana, divertido.

E o álbum, Party Anticonformista, que a Bizarre está lançando aqui... É uma coletânea. O que vocês acharam da escolha das músicas?
Françoise - São muitas canções, 29. Mas acho isso bom. Faz o dinheiro gasto valer a pena. [risos] Acho que foram bem escolhidas as músicas, gostamos de todas... ficou bom.

Mas não tem nenhuma que achem que ficou faltando ou alguma que não teriam colocado?
Brezel
- Ficamos surpresos quando ouvimos o disco, porque ele reflete um gosto muito especial para uma compilação. Nós pensamos "ah, nós nunca teríamos colocado essas canções, mas... é, por que não?". Então, fiquei surpreso por ter tantas canções e porque muitas delas são... é tipo zzuuuuuuuuuuuuu...

Françoise - É como... depois disso você pode colocá-las todas em uma festa e...

Brezel - E você pode chamar o pessoal e... [dança] festejar. [risos] Ninguém vai achar realmente bom... Mas eu acho que ficou muito bom, e especial. É diferente do material que costumamos gravar, porque tem uma direção diferente e reflete um gosto diferente.

E um álbum novo, vocês já estão preparando?
Françoise - Sim. Começamos a gravar algumas músicas... Já gravamos duas, mas ainda não terminamos, porque temos viajado muito e não tivemos muito tempo. Mas quando voltarmos, vamos trabalhar duro nisso.

E para quando o lançamento?
Françoise
- Acho que ano que vem.

Há alguns anos você costumavam tocar com uma banda...
Françoise - Lolita...

Vocês pretendem voltar a tocar com banda, não apenas vocês dois, com um laptop?
Françoise - Não tocamos só com o laptop. Nós tocamos ao vivo [risos]. Mas você quer dizer se não vamos voltar a tocar com uma banda de rock?

É... uma banda de rock, pop....
Françoise - Não. Eu gosto do jeito que as coisas estão. Foi divertido ter uma banda, uma "banda normal", mas eu gosto desse formato "novo". E talvez um dia em uma banda de heavy metal eu tocasse bateria... [risos]. Eu não acho que vamos voltar a ter uma "banda". Estou feliz com isso.

Brezel - Eu acho que eu vou dar uma saída por uns minutos para ela poder responder novamente a essa pergunta. [risos]

Françoise - Talvez seja legal ter uma banda, e nos shows voltar a ter meninas enlouquecidas gritando o tempo todo... [risos] Isso seria engraçado.

Em Belo Horizonte vocês tocaram no festival Eletronika, vocês assistiram apresentações de artistas brasileiros?
Françoise - Eu confundo com o outro festival... Onde o Otto tocou?

Em Curitiba...
Françoise - Isso. Eu vi Otto, Monokini...

Brezel - Um DJ brasileiro de funk...

Françoise - É... com letras sujas. Muito divertido. Gostei muito.

 

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