Abril / 2003

Quando a canção vence e a dança triunfa


Stereo MC's, uma das atrações do Skol Beats

Por Filipe Rodrigues da Silva, do Disco Digital


Há dois anos, Deep Down & Dirty colocou um ponto final a um silêncio editorial de oito anos que só pontualmente foi interrompido por um volume da série DJ Kicks. Agora, os Stereo MC´s estão de volta. Com um best of que não pretende ser um best of, até porque o frontman Rob Birch não tem dúvidas: "Não somos nem queremos ser os Eurythmics."

Dezoito anos de carreira é muito tempo...
Estamos muito contentes por termos chegado a este ponto e pela forma como percorremos este percurso.

E esses anos contam todos? Vocês estiveram desaparecidos durante grande parte desse período. Quase dez anos...
Mas nunca estivemos parados. Nunca! O nosso regresso há dois anos revelou-se muito positivo para nós. Tudo correu muito bem e voltámos em força aos concertos- o que mais gostamos de fazer. Na última década, desde o final da digressão [turnê] do Connected, estivemos envolvidos em projectos paralelos e já tínhamos saudades de criar um disco de que gostássemos e que agradasse ao público.

Então este best of faz todo o sentido para vocês?
Não sei se será bem um greatest hits. Não somos um grupo com grandes êxitos, pelo menos um grupo que tenha um saco enorme de temas que foram top 10 ou top 5 em algum momento da sua existência. Não somos como os Eurythmics - nem pretendemos ser! Eles é que tiveram sucessos atrás de sucessos a partir de determinada altura. Julgo que este disco é mais um excelente cartão de visita que nos apresenta a toda uma geração de pessoas que possivelmente só nos conhece dos últimos dois anos.

Porquê tanto tempo ausentes das edições de originais? Afinal só têm quatro álbuns...
Bem... são cinco com o DJ Kicks. Mas isso, esse tempo de que falas, teve a ver com o êxito. Quando a banda atingiu o seu apogeu, os Stereo Mc´s já tinham sete anos de existência. Decidimos promover uma pausa e cada um ir fazer o que mais gostava. Explorar certas áreas que não tinham espaço na banda. Descansar. Estar com a família. Reflectir. Cada um de nós terá passado por cada uma destas coisas.

A meditação também passou para o título deste disco... Retroactive esconde um duplo sentido, ou nem por isso?
Foi uma designação muito pensada. Esta colecção de temas não constitui uma selecção de hits. Tratam-se de canções que nos marcaram em diferentes momentos da nossa carreira. Esta reciclagem do passado, este eterno retorno, também nos permite encerrar uma certa fase e um capítulo da banda. Neste tempo todo a música aparentemente não mudou muito, mas, ao mesmo tempo, mudou. Fundiu-se e recriou-se.

Como foi descobrir novos fãs?
Foi algo de extraordinário. Uma banda não é nada sem o seu público e sem as pessoas que compram os álbuns e vão aos concertos. Os Stereo Mc´s nunca se consideraram uma banda revival. Foi sensacional termos descoberto e sentido que em 2001 e 2002 ainda éramos capazes de fazer centenas de pessoas abanar o corpo mesmo quando lhes parecíamos estranhos ou distantes.

Um novo álbum estará certamente à porta...
Sim. Não o nego. Até porque neste meio é difícil guardar segredos (risos)! Está já a ser gravado, mas como andamos na estrada a dar concertos tem decorrido por fases. Espero que esteja finalizado em Setembro e que seja possível editá-lo no início do próximo ano.

Com surpresas e mutações, ou nem por isso?
A vida não é assim? Só assim tem piada vivê-la. Não sei ao certo o que dizer, mas apenas garanto que os Stereo Mc´s serão sempre os Stereo Mc´s. Só nós podemos soar como soámos. Queremos proporcionar bons espectáculos e editar álbuns honestos. Sermos profissionais e ao mesmo tempo divertimo-nos e divertir o público. Fazê-lo reagir. E provocar a dança. O nosso sangue são as canções. Mas adoramos ver quando provocamos o
movimento nas pessoas.

 

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