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Novembro
/ 2002
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O
colorido caleidoscópio de Shibuya
Por
Bárbara Lopes Foi nesse cenário que músicos japoneses recortaram e colaram em seu próprio mosaico diversos estilos do lado de cá do mundo: o pop bubblegum, o punk, a bossa nova, a música eletrônica, o hip hop, a chanson francesa, trilhas de westerns italianos, toda uma infinidade de influências. O resultado está bem no meio do (curto) caminho entre kistch e antropofagia. O termo kitsch é bastante adequado - deriva de uma expressão alemã que significa fazer móveis novos com os velhos. A música Shibuya faz isso, ao tratar sem distinções gêneros mais e menos sofisticados, como jazz e música infantil. Mas escapa por uma saída quase tropicalista, ao devolver de forma original os gêneros que havia deglutido, transformando os pedacinhos de música ocidental em algo que causa estranhamento nos ouvidos ocidentais. Embora neguem ou omitam uma relação com a tradição japonesa, ela ocorre na forma de oposição, como já faziam algumas bandas do pós-punk, como Yellow Magic Orchestra, Ippu-Do e Plastics. A agressão ocorre através da inocência e a da candura da sonoridade ocidental, por estranho que pareça. O uso quase obsessivo dos sintetizadores do tipo moog também já aparecia nesses trabalhos anteriores.
A mais conhecida das bandas Shibuya-kei é também a mais antiga, Pizzicato Five. O grupo foi formado em 1984, por Yasuharu Konishi e K-taro Takanami, que lançaram o primeiro single do Pizzicato, Audrey Hepburn Complex, no ano seguinte. Cinco anos, muitos álbuns e singles e outras tantas mudanças na formação depois disso, entrou a cantora Nomiya Maki. Takanami saiu logo depois da assinatura do contrato com a Matador, em 1994. Segundo a Rolling Stone, a dupla decidiu, no passado, se separar e aposentar o nome. Nos seus 17 anos de existência, o P5 acabou definindo o que seria o som característico de seus seguidores: sorridente, retrô-chique, irônico. O experimentalismo
avançou com Cornelius,
a banda de um homem só de Keigo Oyamada. Com seu nome tirado do
filme Planeta dos Macacos (o primeiro, com Charlton Heston), Cornelius
gravou seu primeiro disco como produtor em 1995, o 69/96. Antes
disso, ele tinha tocado guitarra em bandas colegiais. Seu álbum
mais conhecido, Fantasma, mistura Bossa Nova, Beach Boys e ruídos
como miados de gato. Point, lançado este ano, inclui uma
versão lounge de "Aquarela do Brasil" (só "Brazil"
no cd), muito cool. Buffalo Daughter é um trio formado em 1993 por Moog Yamamoto, SuGar Yoshinaga e Yumiko Ohno. Sua música mistura funk e trip-hop, com samplers e sintetizadores, e tem como principal influência os Beastie Boys, que lançaram seu álbum New Rock nos Estados Unidos. Um dos grupos mais importantes (e provavelmente o melhor) do Shibuya-kei é o Cibo Matto, que conta com a vocalista Yuka Honda e a tecladista e dj Miho Hatori. As garotas já tocaram acompanhadas de Sean Lennon e de Russel Simins, o baterista do Jon Spencer Blues Explosion (com o último em um projeto paralelo, Butter 08). Hatori também é uma das artistas por trás do Gorillaz, ao lado de Damon Albarn. E se todas as bandas japonesas são fascinadas pela música brasileira, no Cibo Matto isso é ampliado. Além de terem gravado "Águas de Março", a dupla fez um show homenagem a Baden Powell, cantando as músicas do Os AfroSambas. Dois outros nomes ainda merecem destaque: Fantastic Plastic Machine e Kahimi Karie. O FPM (o site oficial é em japonês) é mais uma one man band, formada por Tomoyuki Tanaka, ex-dj em clubes de Tóquio, locutor de rádio e editor de uma revista de moda, atividades que transparecem em sua música. Ele é um dos mais ativos atualmente, tendo lançado quatro álbuns desde 1998. Kahimi Karie, que também trabalhava com moda, entrou no mundo da música levada pelo ex-namorado, Keigo Oyamada, o Cornelius, e fez sucesso no Japão logo de saída. Sua voz doce e inocente dá vida a músicas inspiradas especialmente por Serge Gainsbourg. |
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