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Maio
/ 2003
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The
Raveonettes: eles existem Por
Filipe Rodrigues da Silva,
de Lisboa
São dinamarqueses. Têm um álbum fantástico chamado Whip It On. E são das coisas mais excitantes que têm saído cá para fora nos últimos meses. O hype gerado tem sido muito. Tanto que muitos colocavam em causa a existência da banda. Mas eles existem. Senhoras e senhores: The Raveonettes. Ao ouvir-se Whip It On fica-se com a dúvida de este ser um álbum ou um mini-álbum, tal é a velocidade a que os oito temas passam por nós. A primeira vez que escutámos (e vimos) o vibrante "Attack Of The Ghost Riders" foi num especial de música indie na MTV, algures em Janeiro. Desconfia-se sempre desta sintonia desde o fim do 120 Minutes (quem não sabe o que isto era... informe-se!), por isso... Enviou-se um email. E, surpresa das surpresas, Sharin Foo (a parte feminina do duo, baixista e vocalista) e Sune Rose Wagner (guitarrista e vocalista) existem e responderam ao repto. Parecem saídos de um filme qualquer dos anos 60, com um visual que muitos vêem próximo dos Velvet Underground. Na própria capa do disco exploram essa imagem: tons vermelhos, negros e brancos. Sexo, drogas e rock n´roll. Um universo iconográfico que une a música ao cinema. O que os fez criar um disco em que não usam mais do que três acordes ou em que cada tema fique algures nos três minutos de duração. Canções curtas. No mesmo tom. De ritmos alucinantes (o que não quer dizer hardcore, ok?) e minimalistas. Quase de intervenção sonora. Rude o bastante. Enérgicas em grandes doses. Maciçamente cativantes. Quiçá ácidas. E de remendos psycho. Como um manifesto que encontra parceiro nas letras. Ou seja: têm tudo para serem muito boas. E são. Como se os The Raveonettes fossem a versão melhorada e de topo de gama dos Black Rebel Motorcycle Club, capaz de fazer referência a uns The Cramps ou a uns Jesus & Mary Chain (e mesmo - e por que não? - uns The Stooges) e ainda lhe dar um cunho muito pessoal, com ideias próprias e energia visceral própria do rock, que os torna extremamente excitantes. E o que é extraordinário neste Whip It On é que nos faz olhar para Psychocandy e sentir a vontade de ouvir os dois discos de seguida. E depois de colocar o Fun House. Com o mesmo arrepio na espinha. Sabe muito bem. A pop ácida vicia-nos. Tal como o rock que arranha. Eis os The Raveonettes. *Publicado originalmente pela Rock Sound. |
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