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Março
/ 2003
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Fazer da música uma arma Por Filipe Rodrigues da Silva, do Disco Digital
"Mudge é Mudge, sem sobrenome", diz o nosso interlocutor. Não insistimos em querer saber mais sobre este australiano que um dia rumou a Inglaterra e com alguns amigos se tornou recentemente num dos principais promotores do movimento Stop The War. Chama-lhe movimento porque "uma organização, nos termos como é tratada actualmente, pode ter alguns significados com os quais não nos identificamos. Stop The War é uma coligação de vários movimentos que têm o seu pólo de acção em Inglaterra e que se estenderam agora a outros locais no estrangeiro". Talvez por esse motivo esteja mais interessado em saber o número de pessoas que participaram nas manifestações em Portugal do que o nome e a importância dos oradores: "Os políticos pouco ou nada resolvem ou resolveram. Não são bem palavras soltas ao vento. Mas dou mais importância ao jovem ou ao idoso que sai de casa para participar em algo e manifestar uma opinião. Há muito oportunismo nisto tudo. Por vezes conseguimos evitá-lo. Outras não". Descreve a manifestação de São Francisco - onde esteve - como "extraordinária", mas não deixa de realçar o impacto motivado pelos protestos nas principais cidades mundiais: "Fiquei muito contente com a adesão das pessoas. No entanto, senti que muitos governos ficaram indiferentes ao que sucedeu. Bem como alguns media. Foi pena". A edição da compilação Peace Not War insere-se nesta lógica de promoção de uma ideia, pensamento, filosofia ou opinião. Mudge considera a música "uma arma muito forte" e só ficou satisfeito quando lhe dissémos que as manifestações em Lisboa foram acompanhadas de concertos. Composto por alguns originais e muitos temas conhecidos, o alinhamento da colectânea conta com alguns nomes sonantes como os Massive Attack, Billy Bragg, Ani Di Franco, Ms Dynamite e Chumbawamba. Os temas "foram todos oferecidos" pelos artistas e Mudge só tem pena de não ter podidos incluir mais bandas e músicos. "Houve algumas dificuldades de início. pro vezes não é fácil falar ou encontrar os artistas. Mas desde que alguns deles se começaram a manifestar e a dar o seu apoio ao "não à guerra" tem sido mais fácil. O grande objectivo é fazer um grande espectáculo simultãneo em todo o mundo, de modo a mostrar que as pessoas não querem a guerra. Quando poderá acontecer? Os nossos meios são reduzidos, mas existem planos para uma série de concertos em simultâneo em várias capitais mundiais no dia 4 de Julho - data da Independência dos EUA. Sei que, infelizmente nessa altura a guerra possivelmente já terá acabado. O simples facto de começar é triste. Mas este movimento não visa apenas esta situação no Iraque. Uma coisa é certa: no dia em que a guerra começar - se começar - irá fazer uma grande manifestação a nível mundial." |
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