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Dezembro
/ 2002
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Música de hoje, música de sempre
Por
Bárbara Lopes Portanto, celebre-se o álbum de estréia do baiano Moisés Santana, que leva seu nome. Os arranjos e a produção, assinados por nomes como andré t, Luis Bergmann, Teco Fuchs, Chico Sodré e Fernando Forni, têm elementos de música eletrônica daqueles que daqui a algum tempo serão identificados como "tão 2000". Essa mistura com ritmos atuais - além da eletrônica, rock e funk - foi apontada por parte da imprensa como o ponto forte do trabalho, mais por vício de se esperar essa modernização da música brasileira que exatamente por mérito. A qualidade do disco está no que ele tem de atemporal: as boas melodias e as ótimas letras. Ainda que com teclados (que aqui servem à música e não a música a eles), o gênero em que se insere Moisés é a tal de MPB. Paulinho da Viola, Caetano Veloso e Djavan se misturam às influências desses, como Zé Keti, Jacob do Bandolim, Dorival Caymmi ou Ataulfo Alves. Por isso, o álbum soa familiar e estranho às primeiras audições - no palimpsesto criado pelo "quem influenciou quem", nem todas as referências são facilmente identificáveis. De forma mais explícita, Moisés Santana presta uma homenagem à bossa-nova em "Os Dois", mas tendo como base um piano que lembra Chiquinha Gonzaga. "Fineza", mais sutilmente, evoca a voz e o cavaquinho de Paulinho da Viola e lembra "Diamante Verdadeiro", que Caetano fez para Bethânia. Com mais atenção, descobre-se que isso acontece por causa de uma raiz comum em Pixinguinha. "Fineza" ainda escancara a habilidade de Moisés como letrista. Versos como "Obrigado por você ter estancado / um rio que corria e parecia não ter fim / Agradeço, foi fineza da sua parte / abater em pleno vôo o pássaro em mim" traduzem a dor com uma ironia que pode ser comparada à de Noel Rosa. Além de separações, as composições também tratam de homens ("Homens"), mulheres ("Pin ups") e temas sociais ("Compromisso"). A agudeza das letras e a beleza das melodias permitem uma convivência harmoniosa com regravações como "Triste Bahia", em que Caetano musicou um poema de Gregório de Mattos, "Bala com Bala", da dupla João Bosco e Aldir Blanc, ou "Marginália II", de Gilberto Gil e Torquato Neto. Mais uma prova que, citando Carlos Drummond de Andrade, "Como ficou chato ser moderno, agora serei eterno". |
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