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26.12.03
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Todas as mulheres do mundo Por Bárbara Lopes
Naquele ponto exato em que se inventa como personagem o ego original, está Producta, mulherzinha, sexy, sem vergonha e sarcástica. Ao vivo, Producta se mostra Lolita, Xuxa, Madonna e PJ Harvey. Producta também se revela nas letras irônicas, declara: "não tenho dinheiro e nem quero amar você", "gosto, mesmo assim, de sofrer por você", toma emprestado o clássico kitsch "Feelings" (Morris Albert) e se consagra com "Baby Doll De Nylon" (Robertinho do Recife e Caetano Veloso). Na entrevista abaixo, Karine/Producta tenta desatar esses nós, mas sempre criando outros.
Em seu CD convivem influências eruditas como em "Zelda" [menção à mulher do escritor americano Scott Fitzgerald] com referências populares, como a versão para "Feeling". Como você junta tudo isso? Escolhi admitir que gosto de quase tudo que me diverte... Sem essa história do Tipo que se faz com estratégia; algo como se você é do tipo universitário "pedantedeprimida" por exemplo, só pode admitir que gosta do que for cabível a este perfil. Tá todo mundo fazendo isso e é um saco, a gente não sabe mais quem é quem. Tá uma esculhambação no mau sentido. Gosto destes personagens reais como a Zelda Fitzgerald. Um dos meus livros prediletos é O Grande Gatsby do Scott. Esse humor da década de 20, muitas pessoas numa festa, adultérios, dramas de amor, falso glamour, solidão, cantoras arrasadas chorando ao piano. A coqueteria é muito divertida. Tem a Dorothy Parker, é outra escritora de que gosto muito. Quanto a gravar "Feelings", tem um outro lado do sentimentalismo, o cara que é falso americano. Acho que mesmo que a gente goste de especiaria, gosta de churrascaria.
Quais sãos as mudanças e o que continua no próximo disco? Cantei amor e glória é só boato, como se eu fosse a Sandy. Sei que não ficou parecido, mas, digamos, é minha versão, leitura de Sandy. Meu colega disse que eu cantei lindamente. Já estou querendo fazer meu terceiro disco, antes de lançar o segundo. Por mim, faria um disco a cada 4 meses. Sou uma máquina de sexo e de fazer discos (risos).
Há um forte elemento teatral em suas apresentações. Como transpor isso para o disco sem prejuízos? Quanto à passar isso pro disco, basta ter o diretor musical certo, que entenda minhas referências, que em sua maioria nem são musicais mesmo.
O que há de você na Producta?
Que conselho a Producta daria às mulheres de hoje? |
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