03.03.04

Do you remember rock'n'roll?
Ou A música pop é uma piada

Por Bárbara Lopes

Frito Sampler, General Elektrik e
Otto Van der Vander
Começa com um trocadilho no nome do grupo: Jumbo Elektro. Os membros da banda são personagens, que se apresentam caracterizados, dando um ar de Village People no palco. O tecladista é Dimas Turbo ("interpretado" por Dudu Tsuda), um ex-ator pornô francês. O baixo fica por conta de Hans Sakamura (Izidoro Cobra), que tem o dom de falar incontáveis línguas. O General Elektrik (Gunter), "herói soviético da Segunda Guerra", atua nos vocoders e vocais. O guitarrista é Otto Van der Vander (Marcelo Ozório), motoboy nascido no Turcomenistão, consagrado na Argentina e exilado no Brasil. Le Cheval (Daniel Setti), o baterista, é ex-terrorista da Frente de Libertação de Quebec. O responsável por vocais, brinquedos e extintor de incêncio é Frito Sampler (Tatá Aeroplano), marciano que dirigiu "filmes mudos iranianos falados em embrometion", única língua em que se comunica e que, acredita, "será a próxima língua universal".

Mas a piada é com a música pop, diluída desde seu nascimento em hits radiofônicos, jingles comerciais e músicas infantis. Assim, as canções do Jumbo soam familiares à primeira audição. Mas, prestando um pouco mais de atenção, descobre-se a sacada, apropriar-se da apropriação, batendo num liqüidificador new-wave, punk, Krafwerk e música brasileira. Uma espécie de versão electro do "Samba Do Crioulo Doido", em que Stanislaw Ponte Preta parodiava os clichês de samba-enredo.

As letras são cantadas em arremedos de línguas conhecidas, o tal embromation. Se tantos cantam em idiomas reconhecidos mas sem dizer nada, fazem muito sentido as versões em pseudo-inglês ou japonês do Jumbo. As citações pipocam ao longo do show: "She's Play The Odissey" (ao videogame, não à obra de Homero), "She Has A Pennis", dedicada a Lou Reed, "Amelie Mulan Ou Freak Cat", que abre ao som de realejo.

Dimas Turbo e Hans Sakamura
Só funciona com quem tem repertório, é claro. Por isso, na Funhouse (dia 16 de janeiro), um antro indie em São Paulo, o show foi ovacionado (vaiado, é verdade, como pedia a banda), enquanto em uma noite electro no Jive (dia 19 de fevereiro), a recepção foi menos empolgada. E também funciona melhor sob o impacto da primeira vez. A piada requentada não rende e a responsabilidade fica mesmo com as músicas. Embora o show enfraqueça um pouco, "Rave Time On Me", "Quando Osama Bin Laden Encontrou Lampião Em Uma Rave Trance" e a versão para "TV Eye", dos Stooges, passam com louvor no teste da validade.

Isso porque mais que engraçadinhos, a banda é formada por bons músicos. Todos têm seus projetos "sérios": Chill Out Company, Laboratório, Cérebro Eletrônico, Luz de Caroline, Thucbanditiones, Eru e o Ditos, entre outros. Assim, o Jumbo se une a uma linha que tem Os Mulheres Negras (que eles citam como influência) e o fenômeno Los Pirata, grupos em que o humor não esconde o talento e a formação musical de seus componentes, antes é feito a partir deles.

Resta saber como isso vai resultar no disco de estréia: Freak to Meet You - The Very Best Of The Jumbo Elektro (The Ultimate Compilation). O trabalho está sendo produzido por Artur Joly (Mugomango), vai sair pela Reco Head, mas ainda não há data de lançamento.

 

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