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15.01.04
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Simpatia americana Por Juliana Zambelo
Fountains of Wayne é pop rock. Alternativo, fechado em um círculo norte-americano de college radios e clubes pequenos, mas tão cheio de potencial para fazer sucesso que nenhuma desculpa é suficiente para explicar a sua popularidade restrita. Na ativa desde 1996, a banda nova-iorquina tem a sorte de reunir dois compositores dotados de uma certa facilidade para compor gemas pop de três minutos - trata-se da dupla Adam Schlesinger e Chris Collingwood. Um exemplo desse talento: é de Schlesinger o hit "That Thing You Do", trilha perfeita do filme The Wonders - O Sonho Não Acabou. O FoW lançou o primeiro álbum no mesmo ano em que se formou e chamou mais a atenção com o segundo, Utopia Parkway, de 99. Esse CD trazia o single "Denise", bem sucedido no underground, além de outras boas faixas, como "Red Dragon Tattoo", sobre um cara que faz uma tatuagem para impressionar uma garota, caso contado em versos impagáveis como "Will you stop pretending I've never been born? / Now I look a little more like that guy from Korn". O terceiro disco do grupo deve chegar ao Brasil nos próximos meses, afirma a EMI. No entanto, Welcome Interstate Managers já saiu nos EUA em outubro, a tempo de entrar nas listas de melhores do ano das revistas Blender, Q e Rolling Stone. O álbum repete as principais marcas do FoW, como a obsessão por letras que contam histórias de pessoas comuns, de perdedores, de esquisitos, com ironia e melodias que colam na memória. É um trabalho direto, que exige pouco em atenção ou compreensão, mas ganha em simpatia. Com 16 faixas, o disco é bastante variado. Há as canções simples, típicas da banda, com guitarras contrastando com os arranjos vocais doces ("Mexican Wine" e "Bright Future In Sales" são hits instantâneos). Entram de surpresa as baladas (a bela "Hackensack") e os momentos acústicos (a gostosíssima "Hey Julie"). Há rocks que se parecem com Oasis, onde o humor é abandonado a favor de uma seriedade honesta, como na ótima "No Better Place", um dos pontos altos do CD. Existe vez para a psicodelia leve, o hard rock e até o country dá as caras aqui. E tudo isso é trabalhado com coesão e familiaridade. Também, mas não apenas pelo som, o FoW é um grupo que exala americanismo. Seja na letra que fala sobre ficar na cidade natal trabalhando para o pai e sonhando com a antiga paixão da adolescência que agora ficou famosa ou nas diversas músicas sobre a vida sem sentido nos escritórios e executivos que bebem para suportar o trabalho, ouvir essa seqüência de pequenos contos é ver o american way of life passar diante de seus olhos. Mas o retrato é feito em uma versão quase Beleza Americana - quase tão crítica quanto a do filme sobre Lester Burnham, e também pontuada por momentos de melancolia e sensibilidade. Assim como hoje em dia, diante de tanta música pop ruim, é preciso ressaltar quando se fala sobre o pop "de qualidade", o pop rock vai pelo mesmo caminho. E Welcome Interstate Managers tem pop rock do bom. É o álbum para fazer o verão mais gostoso e prova, na primeira audição, que gostar de Fountains of Wayne é fácil, extremamente fácil. |
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