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18.10.03
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Nem lá, nem cá: agora Por Bárbara
Lopes e Katia Abreu
Aparentemente há uma oposição entre a explosão que
é Maria Alcina no palco e a precisão dos músicos do Bojo. Apenas aparentemente.
Do encontro entre eles, nasceu um dos mais interessantes shows que puderam
ser vistos em São Paulo neste ano. A estréia dessa parceria aconteceu durante
o festival
com:tradição, em julho no Sesc Pompéia, cuja proposta era justamente
unir pontas dispersas da música brasileira, passadas e atuais. A união continua
funcionando - Bojo e Maria Alcina estão em temporada no Blen Blen até o
final de outubro - e está sendo transformada no CD Agora, a sair
em novembro.
O entrosamento, que havia sido imediato, foi aprimorado. A prova disso
está no repertório do show: na primeira metade, músicas do Bojo e outros
artistas novos e na segunda metade, standards do repertório de Alcina.
A cantora soube dar cor e ao eletrônico hipnótico, sofisticado e cerebral
de músicas como "Kataflan" (bula de remédio também dá samba) e "Agora"
. "Balança A Pança", do Karnak - banda parente do Bojo nas experimentações
bem-humoradas - também foi privilegiada com a voz e os trejeitos de Maria
Alcina. E, destinada ao rótulo de clássico desde a gênese, o funk-samba
remédio forte de Wado "Tarja
Preta" parecia (merecia?) ganhar o apoio de uma multidão, ainda que em
uma noite de público ralo.
A divisão foi sublinhada por um interlúdio, apenas com os músicos do
Bojo, e com direito até a solo de hang, uma esfera de metal amassada
afinadamente, pelo baterista Kuki Stolarski. A partir de então, a hora
de retribuir.
Sem vergonha No mesmo pacote, outra música de Jorge Benjor, feita sob medida para
a diva e incluída em um disco "tão independente que nem eu vi", como ela
explicou. "Sem Vergonha", com a batida inconfundível de Benjor, era o
pretexto perfeito para as estrepolias e as plumas que aconteciam no palco.
Mas nem só de carnaval e presença de palco vive o homem. O lirismo de
"Sangue Latino" (dos Secos & Molhados) era realçado na voz (agora, tranqüila)
de Maria Alcina e no clima suave e cool do arranjo do Bojo.
"Não deixe o tempo te deixar para trás", recomendam em "Agora". Faça
como eles dizem e faça como eles fazem. De um lado, modernidade (que vão
além dos samplers e programações, fique claro), do outro, a paixão e o
suor pré-tecnológicos que moldaram a música brasileira. Na dúvida, fique
com ambos.
***
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