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"O
mais péssimo de todos!"
Por
Leonardo Fernandes e Rafael
Guedes
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Foto:
Rafael Guedes
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Antonio
Snake, tendo ao fundo uma tela
pintada por ele |
Com
essa máxima bem peculiar, estampada em filmes carregados de regionalismos,
o diretor paraense Antonio Snake inaugura a era dos filmes pornô
na Amazônia, explorando o que de mais célebre a região
oferece. Natural de Soure, na Ilha do Marajó, extremo Norte brasileiro,
o cineasta emprega em seus filmes aquilo que o mundo já se acostumou
a apreciar na maior floresta do planeta - à exceção
da fauna, que talvez o condenasse a patamares grotescos da pornografia.
Snake
faz mais do que isso. Um cara esforçado que se arriscou a fazer
pornografia em uma região isolada social e geograficamente. Baixo
orçamento, mínimo aparato técnico e divulgação
boca-a-boca não impediram o profissionalismo do diretor em um mercado
ainda inexplorado. Fez de suas limitações instrumento na
construção de uma identidade própria, no estilo gonzo,
flertando com o inconfundível jeito Buttman de ser.
Em
sua curta carreira, já produziu títulos de sucesso, como
Cotijuba Extremamente Anal - O Retorno Vol. 6 (ver resenha),
e parte agora para seu novo filme, rodado em Belém do Pará.
Na sua pequena produtora de vídeo na periferia de Belém,
mal ligamos o gravador e Snake já falava de seus filmes, incidentes
com a polícia, brega paraense e sobre a dificuldade de se fazer
filmes pornô na Amazônia.
Snake
- Por incrível que pareça, há toda uma dificuldade
em se fazer filme pornô aqui em Belém. Tem mais: essas mulheres
que se prostituem aqui pelo jornal não aceitam fazer filme pornográfico.
As dos prostíbulos de Belém também não aceitam.
Ai tu diz: "Porra, e quem são essas mulheres que fazem vídeo
pornô?" São mulheres que não tem nada a ver com
prostituição, que trabalham, e tem aquela fantasia de fazer
um vídeo. Eu não sou garoto de andar me prostituindo, de
andar nas ruas, pelos prostíbulos, me anunciando pelo jornal, mas
eu gosto de fazer o vídeo pornô. Não deixa de ser
uma profissão, não é verdade? Mulheres casadas e
casais liberais, inclusive, já fizeram vídeos comigo.
Quando
tu precisas fazer um filme, como é que tu fazes para recrutar o
elenco?
A gente põe anúncio no jornal na página de emprego:
"Precisa-se de mulheres, maiores de 21 anos, independente, com corpo
escultural, bonita, para trabalhar com vídeo erótico..."
Nós moramos em Belém do Pará, há toda uma
dificuldade. O pessoal vive "dentro do mato", tem a idéia
que moramos dentro do mato, mesmo. Então aposto em 21 anos. A pessoa,
quando me liga, já tá ciente do que se trata. Muitas já
viram o filme, já aconteceu até de mãe, mãe
mesmo, vir trazer a filha. "Olha, eu não quero, mas a minha
filha é muito bonita, ela tem 19 anos, é loira, peitão,
cheia de sarda, ela é linda a minha filha". Você é
mãe, você que tá dizendo! Então traga ela que
a gente vai ver, né? Mas só que tem o outro lado, a pessoa
pensa que é só pra vir transar e ganhar o dinheiro, não
é por aí. Eu alerto: "Olha, o filme vai ser rodado
aqui em Belém, depois é distribuído pra toda a cidade
e pra fora". E as pessoas: "Ah, não é só
lá pra fora?!", ficam com aquela vergonha de se expor perante
a sociedade. Muitos me abordaram esses dias, em que eu tava trabalhando
lá na câmara onde fica a galera da política, na Assembléia
Legislativa. Uns e outros chegavam e diziam: "Ei, 'rapá'!
Não é tu que é o Snake?" Uns e outros me conheciam:
"Eu já vi o teu filme, cara!". Eu digo: "Porra,
obrigado, eu fico muito lisonjeado com isso." O cara é promotor
e o caralho...
Tu nunca trabalhaste com prostituta?
A única prostituta com quem trabalhei, por incrível
que pareça, por causa dela fui preso e passei 22 dias na cadeia,
naquele primeiro filme que eu produzi (Cotijuba - Ilha do Prazer Devastação
Anal Vol.1), que repercutiu bastante depois desse episódio.
Em
que ano foi isso?
Rapaz, eu nem sei, foi em 1997 se eu não me engano.
E
qual foi o argumento deles pra te prenderem?
A menina filmou comigo com documentação toda falsa. Porra,
era maior de idade, grandona, mulherona. Até porque quem recrutou
ela foi o meu primo, que era meu
sócio. Ele foi na Locomotiva [boate de Belém] e conheceu
ela. Nós viajamos pra Cotijuba e passamos o final de semana filmando.
Produzimos todo o filme, depois ele foi pras locadoras, pagamos, ela assinou
o contrato na boa, registrado em cartório e tudo o mais. Depois
de um mundo é que a mãe dela veio por aqui e disse que queria
mais dinheiro, porque a filha tinha feito um filme. Aí eu mostrei
o contrato que ela assinou, e a mãe disse: "Não, esse
contrato aí é falso, a carteira de identidade dela é
essa aqui". A menina tinha 17 anos. Aí tu já viu só...
Ela começou a me chantagear, disse que queria dinheiro, senão
ia procurar a polícia. A mulher sumiu e em menos de um mês
apareceu com a polícia aqui. Danou-se! Me levaram preso, as fitas
que ainda iam ser distribuídas. Fui roubado pela polícia,
levaram cordão de ouro, agenda eletrônica, um vidro de perfume
"zerado", dez cd's do Roberto Carlos, enfim. Quando fui preso,
teve noticiário na televisão, foram tentar me entrevistar...
E
como tu fizeste pra sair da prisão?
Meu advogado entrou na história e eu fui solto. Depois teve uma
audiência com a juíza, eu expliquei: "Olha, a menina
tem documento falso..." Cadê que mandaram prender? Só
passaram a mão na cabeça e acabou-se, quem levou a pior
fui eu.
Tu
já trabalhavas com vídeo antes de começar a fazer
filmes pornô?
Eu trabalhava em uma empresa de gás aqui em Belém - não
vou falar o nome porque ela não tá me dando porra nenhuma
[riso] - e nessa época batia fotos de namoradas minhas e
depois mostrava pra um amigo, que era segurança da empresa e tinha
uma câmera. Ele dizia "Pô, meu, tu fotografa muito bem,
esses ângulos tão bacanas! Compra uma câmera pra ti
que quem sabe um dia tu não vai fazer vídeo pornô,
tu gosta disso e tal..." Foi quando recebi umas férias, ganhei
uma grana e comprei uma filmadora. Ao invés de fotografar, eu passei
a filmar as mulheres que saíam comigo, mas nunca vendi as imagens.
Eu filmava e depois assistia dentro do meu quarto, "Égua!
Bacana e tal..." Comecei a mostrar pra esse meu amigo, "Porra,
moleque! Porque tu não faz vídeo pornô?" Porra,
aqui em Belém é foda. Cheguei a conversar com uns amigos,
que botavam mil e umas dificuldades, como o Marcelo, da banda Zênite,
gosta muito de rock e hoje está em São Paulo. Ele foi um
dos que disse: "Antônio, tu nunca vai conseguir fazer vídeo
pornô". E eu digo "Não, um dia tu vais ver que
a minha fita ainda vem com selo da Cine Vídeo", que é
um selo pesado. Na primeira tentativa só gastei dinheiro, tentei
produzir um vídeo, mas não deu certo.
Em
que ano foi isso?
Em 1997. Depois veio o Cotijuba, tive uma boa vendagem, fui preso,
gastei uma grana com advogado. Quando saí, vendi o dobro, porque
era mais quem queria ver o filme de Cotijuba. Mas hoje já não
divulgo mais, porque tem aquela menor de idade e o filme já se
tornou velho. Ainda tem muita gente que me pede. Sobre o vídeo
pornô, comecei mesmo, valendo, quando vi uma matéria no SBT
a respeito das produções pornográficas e tudo que
gera um troco. Daí falei pra um primo meu (Adilson, produtor dos
filmes) que gosta também, é um cara aventureiro, segue em
frente.
Teu
primeiro vídeo não deu certo por quê?
Nós chegamos a gravar, mas trabalhando com prostituta sempre tive
dor de cabeça. A menina tem que ter paciência, os atores
também. Eu atuava e não deu certo, porque eu brochei muitas
vezes, em diversas cenas eu brochei pra caralho! É raro um ator
não brochar, né? Depois que o vídeo tá produzido,
o cara diz: "Porra, esse cara tem um pique do caralho!" Mas
tem muito corte por trás daquilo, o cara brocha, pára, toma
um banho, relaxa e volta pra cena. Eu também era diretor do filme
e dizia pros cinegrafistas como eu queria, tinha que me concentrar em
dobro. Ainda levei um amigo, morto de "manicão" [tarado],
queria ver como era, fotografar, mas ele só foi é empatar,
batia foto e, geralmente, quando se está filmando, só se
bate foto no corte. Ele, não. Foi uma dor de cabeça do caralho.
Dava uma hora de filmagem, as prostitutas já queriam ir embora.
Essas prostitutas, quando você contrata elas, faz uma série
de perguntas - idade, com quem mora, se tem pai, se tem mãe,
enfim. Se a pessoa for maior de idade eu não pego ela e digo: "Tá
aqui o contrato, vamos filmar". Faço toda uma entrevista,
mas elas só pensam no dinheiro, no momento, "Ah, não.
Eu moro só. O dia em que chegar nas locadoras, respondo pelos meus
atos". Mas quando o filme chega, mesmo, e todo mundo começa
a ver e aborda a fulana: "Ah, eu vi teu filme, eu vi tu chupando
pica e gozando (sic) na tua cara!", quando ela não
suporta toda aquela encarnação da galera, vem pra cima da
gente: "Porra, tu botaste na locadora tal!" ...Mas caralho!
Eu não te falei que eu ia vender em toda a Belém?! Tá
aqui o contrato, você não assinou? Aí começa
a chantagear, é uma dor de cabeça. Não trabalho com
garotas de programa. Se, na hora de gravação, eu acho que
tá errada tal cena, ela não tem paciência, fode 15
minutos e já diz que tá cansada, com câimbra, com
dor, e uma série de coisas que eu não gosto.
É
por isso que nos teus filmes, na maioria das vezes, as mulheres aparecem
com o rosto distorcidos ou coberto pelos cabelos?
Eu já trabalhei com mulheres que têm aquela fantasia, tem
mulher que já me ligou e disse: "Antonio, já vi o teu
filme, entrei no teu site, queria fazer um vídeo mas não
quero que todo mundo veja. Dá pra por um mosaico no meu rosto?".
Aconteceu de uma mulher nos procurar e não querer receber o dinheiro,
apenas assinou o contrato e fez o filme, porque é uma fantasia
dela. Ela disse: "Olha, o cachê eu não quero, eu só
quero filmar porque eu gosto, é uma fantasia minha", com a
condição de que colocaríamos um mosaico no rosto
dela. Tanto é que o meu filme Ninfetas Paraenses Preferem Anal
4 foi feito em Bragança [no interior do Pará]
por exigência dela. Fomos pra praia de Ajuruteua, pois ela queria
gravar lá como se ela fosse uma mulher bragantina.
Mas
isso não atrapalha a vendagem dos teus vídeos?
Atrapalhar, atrapalha. A gente não consegue agradar a todos. Tem
uns que gostam e outros não. Eu quero produzir um vídeo
novo com o título As Mulheres Mais Depravadas De Belém
Do Pará, onde eu quero mostrar o rosto das mulheres.
Como
é aceitação do público com relação
ao teu produto?
Aqui em Belém o público aceita na boa, os donos de locadora
aceitam, compram o meu trabalho e gostam, porque é um vídeo
que tem rentabilidade. O pessoal fica curioso de ver uma produção
paraense, de repente ele se depara com a vizinha dele no vídeo,
ou a ex-esposa, como já aconteceu. Os donos de locadora me procuram
pra saber sobre coisa nova... [passa uma mulher em frente ao escritório]
Olhaí passando uma gostosa, eu fico doidinho! É a coisa
que eu gosto pra caralho, é o meu único vício! Eu
digo que é o meu único vício, mesmo, sou obcecado
por mulher. Cigarro, droga, bebedeira, pode taí que eu não
dou a mínima, mas entrou mulher aí danou-se, eu fico doido!
Quantas
cópias tu vendes, em média, por filme?
Aqui em Belém por volta de umas 400 fitas.
Só
no boca a boca...
É, no boca a boca.
Como
tu fazes a divulgação dos teus filmes?
Eu não tenho uma divulgação porque se trata de vídeo
pornô, aí tem aquela dificuldade... Já dei algumas
entrevistas, mas aqui é difícil. Em São Paulo o público
tem a cabeça mais aberta, os diretores de televisão já
têm a cabeça aberta, mas aqui em Belém, não.
Como
tu fazes a distribuição das cópias?
Nós vendemos paras as locadoras de Belém, temos um vendedor,
eu também faço papel de vendedor, tenho que divulgar o meu
trabalho. Belém não tem uma distribuidora de vídeo.
Tem de bebida, cigarro, essas porras que não prestam, mas de pornô
não tem. Não tem duplicadora aqui em Belém, não
tem nada.
Como
tu fazes pra vender fora de Belém?
Pela internet. [http://www.amazoniasex.rg3.net]
E
pra fora do Brasil?
Já cheguei a vender. Não cheguei a vender em massa, assim.
Vendi umas 150 fitas pra Holanda. Eu vendi os direitos autorais de uma
fita pra Dinamarca, tanto que eles duplicaram em DVD, mas aí é
pra eles, não tem nada a ver mais comigo, o vídeo passou
a ser deles.
Snake,
fala sobre os filmes que tu fizestes.
O primeiro foi Cotijuba Ilha do Prazer - Devastação Anal
1. Depois Marajó Ilha do Prazer Devastação
Anal 2, Mosqueiro Devastação Anal 3, Ninfetas
Paraenses Preferem Anal 4. O nº5 eu vendi os direitos autorais,
era um confidencial meu de duas horas gravado pelas ruas de Belém,
Confidencial Por Antonio Snake. Voltei à ilha de Cotijuba
e gravei Cotijuba Extremamente Anal - O Retorno Vol. 6, com cenas
gravadas dentro do presídio de Cotijuba. O outro (vídeo)
também, que é Making Off Volume 7, que reúne
as melhores cenas de bastidores, erros de gravação, cenas
inéditas gravadas nas ruas de Belém, na (avenida) Almirante
Barroso. Participei recentemente de outra produção, também
paraense, que é do meu sócio, meu primo, que é Halloween
Do Sexo e de outros que eu já gravei com uma produtora holandesa,
mas não posso divulgar o nome.
Tem
algum pra gravar agora?
As Mulheres Mais Depravadas De Belém Do Pará.
Tu
te inspiras em alguém pra fazer os teus filmes?
O meu espelho é o Buttman. Se eu hoje gravo vídeo pornô,
gosto de vídeo pornô, meu grande espelho disso tudo é
o Buttman. Gosto muito dos filmes dele, do jeito que ele filma, tanto
é que o filme dele, de uns cinco, seis anos pra cá, faz
um estilo de vídeo gonzo.
Quanto
tempo tu levas pra produzir um filme?
Com bons atores, em uma semana eu faço a produção
de um vídeo, um vídeo gonzo, sem roteiro.
Qual
o equipamento que tu usas, geralmente?
Só uma câmera Super V e tô partindo agora pro digital.
Com uma câmera faço toda a produção de um vídeo
e vendo mais do que esses curta metragens em que o pessoal gasta
um dinheirão.
Quanto
custa, em média, um filme?
Depende. Mas, por alto, R$ 7000, por aí. Os atores recebem em torno
de 350 a 500 por filme, para uma atriz. Os homens saem mais baratos, por
ainda não ter um nome no mercado. O ator pornô pode ganhar
bem desde que dê continuidade, não pode fazer um ou dois
filmes e largar tudo.
A
produção técnica dos teus filmes - gravação
em vídeo, som ambiente, paisagens naturais como locação
- é uma necessidade ou um estilo?
É porque eu gosto, gosto de paisagens e tudo o mais. Se você
loca um filme pornô, hoje, todos são rodados em cima de uma
cama. Como a nossa Amazônia bonita, sempre que puder quero gravar
em praias, dentro de mata, igarapé. É um cenário
rentável, lá pra fora o pessoal gosta muito.
Por
que "Snake"?
Gosto muito de rock e gosto da banda White Snake. Eu gosto tanto da banda
White Snake que eu vou botar meu sobrenome Snake, né?
Teus
filmes sempre trazem o rock na trilha sonora, como o Cotijuba...
É rock, sempre é rock. Eu não vou divulgar a música
aqui da terra, que é o maldito do brega. Se eu tivesse dinheiro,
dinheiro mesmo, eu ia morar pra Austrália, Holanda, só pra
não ter que escutar brega. E como o Marcelo, da Zênite apostava
no meu trabalho, quis botar a banda porque e uma forma de divulgar também.
Qual
a repercussão entre teus conhecidos e familiares sobre a tua decisão
de fazer filme pornô?
Minha família aceitou na boa. Eu sou muito católico, por
incrível que pareça. Sempre que posso vou à Igreja
de Perpétuo Socorro. Inclusive lá sou reconhecido por quem
freqüenta, "Porra, não é você que é
o Snake? Já vi teu filme e tudo o mais..."
Esses
filmes que tu citastes, agora, produzido com os holandeses, foram feitos
com atrizes e atores daqui?
Dois atores daqui, uma atriz paraense e o resto tudo de lá. Vieram
produzir aqui porque viram meu trabalho, gostaram e apostaram. Você
sabe que o nome Amazônia, aqui ninguém dá a mínima,
mas lá pra fora, se você for cobrar pela foto de um urubu,
na Dinamarca, na Holanda, na Inglaterra, você vende a foto daquele
pássaro. Tanto é que, quando esses holandeses vieram aqui
em Belém, gastaram mais de três rolos de filme fotografando
urubu, o Ver-o-Peso, com toda aquela fedentina que tem.
Falando
um pouco das tuas atribuições, tu és diretor, ator,
produtor, editor, roteirista, cameramen e ainda faz o projeto gráfico
das capas das fitas. Faltou algum cargo?
Ainda sou vendedor. Quando as fitas chegam de São Paulo, da duplicadora,
aí eu faço as vendas, visito as locadoras. Pra mim é
um prazer conhecer os donos de locadora, apesar de eu já conhecer
todos, mas às vezes tem um novato no ramo. E eu sempre gosto de
ter o contato direto com o dono da locadora, saber da aceitação
do meu vídeo na locadora dele.
Comenta
essa declaração: "Snake, o mais péssimo de todos".
Pela minha audácia em produzir vídeo pornô aqui em
Belém. Porra, um vídeo pornô aqui em Belém,
uma cidade em que só se escuta brega, a mentalidade do público
é extremamente baixa! Quando se fala de sexo, todo mundo gosta
de sexo, todo mundo gosta de transar! E quando se fala de sexo entra aquele
puritanismo, o cara fica retraído. Pra mim é normal, é
o meu trabalho, ver uma mulher nua na minha frente é normal, ver
gente transando na minha frente é normal, não tenho mais
aquela curiosidade. Eu fui o mais audacioso e tô sendo o mais audacioso
por estar produzindo vídeo pornô. Já fui preso, já
fui extorquido por policiais e uma série de dificuldades, mas eu
continuo porque gosto, quem sabe um dia minha estrela não vá
brilhar e Belém não vá dizer "É, realmente,
o cara merece!"
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