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A rua escura parecia aumentar ainda mais minha culpa.
- Não entendo como pude fazer isso.
Há dias carregava esse sentimento dentro de mim, queimando intensamente. Não podia apagar aquele rosto da minha mente.
Talvez por isso não vi o homem, branco, muito branco com a roupa escura. Caminhava como se tivesse um imenso peso nas costas, quase corcunda. Ele se aproximou e com um olhar de pena, parou na minha frente.
Eu estava tão absorto em meus pensamentos que tomei um susto quando ele falou comigo.
- Pode deixar comigo, filho.
Estranho me tratar assim, porque não parecia muito velho. Só parecia cansado, muito cansado. Como se carregasse esse fardo invisível por toda uma eternidade.
- Deixar o quê?
E, de repente, ao falar essas palavras, minha culpa foi embora. Eu não conseguia nem me lembrar do rosto, daquele rosto que parecia marcado em mim para sempre.
Ele começou a caminhar, me deixando na sombra daquela escura. Parecia ainda mais cansado e arqueado, como se o peso que carregava tivesse aumentado.
O homem que carrega a culpa do mundo desapareceu antes que eu pudesse agradecê-lo.

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