
Lima concentra 25% da população peruana e dois terços das riquezas do país. Só com esses números já dá para ter noção de como boa parte das questões ligadas ao Peru se concentram e giram em torno da capital. O curioso é que, com tudo isso, a cidade fundada por Francisco Pizarro em 1535 tem pouco carisma entre os visitantes estrangeiros.
É uma situação mais ou menos semelhante com a de São Paulo. A grandiosidade urbana fez de Lima uma cidade algo agressiva. As principais atrações, como em muitas das grandes cidades mundiais, são a vida cultural, compras e numerosas, mas por vezes escondidas, edificações históricas. Por estar no litoral, há ainda algumas praias na região.
A cidade foi fundada pelos espanhóis para ser a capital do Vice-Reino do Peru. Com localização estratégica (um porto no centro do litoral Pacífico da América do Sul), Lima cresceu rapidamente e logo se tornou a segunda metrópole da América espanhola, atrás apenas da Cidade do México, o que lhe valeu o apelido de “cidade dos reis”.
Como em muitas cidades peruanas, o centro histórico está na Praça de Armas, onde se localiza a catedral. Vestígios coloniais também podem ser vistos nas numerosas igrejas da capital, como a Mercê (onde foi proclamada a independência do Peru), de São Pedro e o Santuário de Santa Rosa de Lima.
Em relação a museus, destacam-se o Nacional de Antropologia e Arqueologia, onde se vê relíquias das diversas civilizações que habitaram o território peruano, o do Ouro, o Arqueológico Rafael Largo e o Nacional da República. Um pouco fora do centro, merece uma visita o sofisticado bairro de Miraflores, com parques, praças, vida noturna agitada e lojas.
Em relação ao futebol, era inevitável que o domínio econômico de Lima sobre o resto do Peru se refletisse no esporte. As três equipes mais tradicionais do país – Universitário, Alianza e Sporting Cristal – têm sede na capital. O quarto clube mais vitorioso, o Sport Boys, é de Callao, uma cidade portuária na região metropolitana de Lima.
A cidade recebe os jogos mais importantes da seleção peruana, principalmente os válidos pelas Eliminatórias da Copa. Por isso, o estádio Nacional (esquerda) sempre esteve em condições de receber partidas internacionais e praticamente não foi reformado para a Copa América. O curioso é que, com 45 mil lugares, o estádio não é o maior do país. O estádio Teodoro Fernández (Monumental U, à direita), de propriedade do Universitário, tem capacidade para 80 mil pessoas, vinha abrigando os jogos Peru (por exemplo, o empate contra o Brasil em novembro de 2003 foi nesse estádio) e estava no programa inicial da organização da competição continental.
No entanto, a diretoria do Universitário pediu o perdão da suspensão do meia-esquerda Mario Gómez para liberar o estádio, a federação peruana não concordou e o Monumental U foi retirado da tabela.
Ubiratan Leal
Imagens: PromPeru, Esmas e Fussball Tempel
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