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agosto 14, 2004 Revistas
Olimpíadas 2004 É o Guia das Olimpíadas oficial do COB. Por isso, não é de se estranhar que haja alguns textos de tom claramente institucional. Não é um problema tão sério, pois essas passagens são isoladas e facilmente identificáveis e ignoráveis. No entanto, essa característica fez com que a revista desse um destaque acima da média para os atletas brasileiros, o que pode ter ajudado a provocar uma carência de informações a respeito dos favoritos ao ouro em cada modalidade, a ponto de apontar o adolescente norte-americano Freddy Adu como promessa em Atenas, ignorando o fato de que os Estados Unidos na conseguiram classificação no futebol masculino. Ou seja, ajuda muito pouco na hora de assistir a algum evento pela televisão. Além disso, a parte de história dos Jogos modernos é pobre, sem grandes novidades e com texto telegráfico que mais cita fatos do que os explica. Mesmo assim, a revista tem algumas qualidades inegáveis. Por exemplo, nenhum dos principais guias olímpicos conseguiu traçar paralelos entre a mitologia e a história gregas com os esportes atuais com tamanha sutileza e bom gosto, fugindo dos chavões que pululam na cobertura dessas Olimpíadas. Apesar de reforçar o destaque exclusivo a brasileiros, a comparação entre os 12 trabalhos de Hércules (ou Héracles, para respeitar o nome dado pelos helênicos) e a vida dos atletas foi extremamente feliz. Explica a função educativa da lenda – algo quase sempre esquecido – e a compara com o cotidiano dos atletas brasileiros. Outro ponto positivo está no capítulo obrigatório sobre os Jogos da Grécia Antiga. Ah, comprando a revista o leitor ganha uma medalhinha. Não mudará a vida de ninguém, mas pode ser útil para fazer um agradinho ao filho ou ao sobrinho pidão.
Placar – Guia dos Jogos Olímpicos Atenas 2004 Se sua idéia ao comprar um guia olímpico é ter algo que o ajude a acompanhar as modalidades pela televisão, a edição especial da Placar é a mais indicada. Em nenhuma outra revista é possível encontrar tantas informações a respeito das chances brasileiras em cada modalidade. E, melhor ainda, sem patriotada ou ufanismo. Além disso, vê-se que há claramente um trabalho de reportagem em cada texto, fugindo das análises padronizadas. A publicação esportiva da Abril também ganha pontos pela seção de história dos Jogos da era moderna, com explicações curtas e eficientes dos fatos mais importantes, juntando ainda com uma quantidade razoável de histórias curiosas. Vendo do ponto de vista técnico, a Placar também ganha pontos por ter um visual agradável e bem resolvido (mas é bverdade que nenhuma das “concorrentes” peca nesse aspecto). Também merece elogios a iniciativa de colocar o calendário olímpico em um encarte de tamanho reduzido, que pode ficar na mesa de centro sem ocupar muito espaço e facilitando uma consulta rápida. A forma de apresentação da programação é relativamente normal, sem grandes novidades, mas a presença da tabela dos esportes coletivos ajuda bastante. Mas há momentos em que o leitor que se fiar apenas nesse guia pode se sentir desamparado. A revista não mostra, por exemplo, quais as fórmulas de disputa de cada modalidade, tampouco conta como funcionam esportes pouco conhecidos no Brasil. É verdade que deixou o endereço eletrônico das confederações brasileira e internacional de todas as modalidades, mas poderia ser melhor. Também ficará na mão quem esperar referências à Grécia Antiga e aos Jogos Olímpicos originais.
Veja – Edição Especial Olimpíadas Não é possível fazer muitos paralelos entre o Guia da Veja e o das outras publicações. A proposta é bastante diferente e o eventual leitor deve estar consciente disso. A chave disso está bem clara na capa da revista: “Auto-ajuda Olímpica – As histórias de superação dos atletas brasileiros e o que aprender com eles”. Com esse princípio, o Guia da Veja diz respeito mais aos atletas brasileiros, suas histórias de vida e suas preferências pessoais do que aos Jogos Olímpicos em si. Em muitos momentos, a revista é quase comportamental, o que não é novidade na linha editorial que a maior revista do país adota há vários anos. Se a idéia da Veja agradar ao leitor, é importante dizer que os temas enfatizados são “acreditar no impossível”, “aproveitar as oportunidades”, “manter a fé”, “a importância do trabalho em equipe”, “dar atenção aos detalhes”, “enfocar seus objetivos”, “vencer o medo” e “tenha um plano B”. Apesar do enfoque pouco convencional, a veja acaba se destacando por conseguir levantar histórias interessantes dos atletas brasileiros. No resto, a edição olímpica de Veja tem referências gregas razoáveis, apesar de poucas em quantidade. Não é tão bom quanto na edição do COB, mas tem qualidade. Melhor que o silêncio da Placar. O calendário segue o modelo do Guia Olímpico da Placar em 2000, com a programação acompanhada de pequenos textos mostrando os destaques de cada dia. Falta profundidade, mas ajuda a tirar um pouco o aspecto de grade de programação. Não há nada sobre a história das Olimpíadas modernas. Revista Lance A Mais – Guia da Olimpíada Não há muito a dizer a respeito do Guia do Lance. Basicamente, é um grande calendário olímpico, em que cada dia dos jogos ocupa uma ou duas páginas. Além do horário da disputa de cada prova, há notas sobre os brasileiros que competirão em cada dia, algo sobre os principais destaques estrangeiros e algumas curiosidades. Nada de história do evento – tanto na Grécia Antiga quanto na era moderna – ou de explicações sobre as modalidades.
Mundo Estranho apresenta: Olimpíadas – A edição definitiva sobre os Jogos O nome da revista pode assustar, mas a “mundo Estranho” é apenas um filhote da Superinteressante, uma publicação dentro do que a Editora Abril está chamando de Família Super. Na verdade, é uma espécie de versão agigantada da seção “perguntas Superintrigantes”. Como era de se imaginar, a revista não prima por ser um guia olímpico, mas por conter várias curiosidades e, sempre na forma de perguntas e respostas, acabar com algumas dúvidas freqüentes dos torcedores, por exemplo, como se faz o exame anti-doping e a cronometragem do atletismo ou como é o estádio Olímpico de Atenas e a vila olímpica por dentro. Para tentar contentar um pouco o torcedor, há informações sobre as chances dos atletas brasileiros, sobre a história dos Jogos, curiosidades e, seguindo a natureza da revista Superinteressante, a ciência por trás do esporte (algo ignorado pelas demais publicações). Ganha vários pontos pelo cuidado em ilustrações e infografias (ilustrações acompanhadas por legendas explicativas).
Grécia – Turismo, filosofia & história Edição especial da revista Viagem, o que deixa bem claro que não se trata de um guia olímpico, mas um guia da Grécia que toma os Jogos Olímpicos como gancho. Em tese, é voltada para pessoas com interesse em viajar para a Grécia ou, ao menos, em conhecer um pouco do país em um enfoque cultural-geográfico. Nesse aspecto, a revista tem como atrativo belas fotos e textos “apetitosos” (o termo é esse mesmo. A idéia é abrir o apetite turístico do leitor). Fala sobre Atenas, Peloponeso e algumas das principais ilhas gregas. Tudo isso com um pouco de história, mitologia e até mini-perfil de gregos famosos, como Maria Callas. No entanto, fica por aí. A revista é boa para deixar o leitor morrendo de vontade de pegar o primeiro vôo para Atenas (até ele descobrir que não há vôos diretos do Brasil para a capital grega. É necessário fazer conexão em outra cidade européia), mas não conta com informações práticas para o turista. Por exemplo, dá um retrato de Atenas, mas fala pouco sobre cada atração da cidade, os museus, os pontos turísticos e dicas de locomoção, entre outras coisas. A seção de serviços tenta ajudar, mas não é de grande serventia por ser resumida e genérica. Sem contar que não há nenhum mapa das cidades, algo fundamental para o turista. No final da revista, há um texto sobre os Jogos de 2004. É bom, mas aparentemente foi feito para um turista que não acompanha esporte com grande profundidade e quer aproveitar a união de Olimpíadas com viagem à Grécia. Ubiratan Leal Imagens: Editora Abril Comente esse texto (0) |
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