Javier García; Julio Barroso, Juan Daniel Forlín, Ezequiel Muñoz e Carlos Fondacaro; Álvaro González, Cristian Chávez, Néri Cardozo (Damián Díaz) e Leandro Gracián; Jonathan Philippe (Ricardo Noir) e Pablo Mouche (Osvaldo Gaitán). Nem parece, mas foi essa a escalação do Boca Juniors na partida contra a LDU Quito na Copa Sul-Americana. Quase todos reservas, tanto que nem a torcida botou muita fé (apenas 15 mil xeneizes foram à Bombonera). Ainda assim, os argentinos golearam os atuais campeões da Libertadores por 4 a 0.
Esse resultado contundente expôs definitivamente como está a Liga de Quito desde que o time conquistou a América. Em uma situação parecida com a do Fluminense, o outro finalista da Libertadores, os blancos perderam a concentração e não conseguem mais encontrá-la. O padrão de jogo sumiu e a confiança para encarar as potências continentais se esvaiu.
A queda no mês seguinte ao título seria compreensível. O time de Edgardo Bauza usou reservas no final da primeira etapa e no início da segunda no Campeonato Equatoriano. Além disso, ficou sem Joffre Guerrón, o jogador cuja explosão física e capacidade técnica servia de locomotiva para puxar todo o time.
No entanto, o embalo da festa já passou e o time voltou à realidade de jogos do Campeonato Equatoriano e Copa Sul-Americana. Além disso, já houve tempo para criar um novo sistema de jogo, que prescinda de Guerrón, hoje no Getafe. E nem assim o futebol da LDU voltou ao normal.
O problema inicial é que a desconcentração foi muito além das comemorações pelo título. O nome de jogadores como Bolaños, Urrutia, Manso e Ambossi passaram a pipocar em várias especulações de mercado (algumas, inclusive, envolvendo clubes brasileiros). No Brasil, é relativamente normal conviver com isso, mas é raro um clube equatoriano ter tantos jogadores desejados ao mesmo tempo.
O elenco e o clube não têm sabido lidar com isso. A cabeça do elenco parece longe da Casa Blanca, algo fatal para um time que depende muito do conjunto e de padrão tático. Sem isso, a LDU é uma equipe limitada, que tem alguns bons jogadores – e muitos limitadíssimos – como tantas outras nos países de segundo nível da América do Sul. O que ficou provado pela campanha irregular na segunda etapa do Equatoriano, em que a LDU tem tido dificuldades em competir com Macará, Técnico Universitario e Universidad Católica no Grupo B.
Nem a presença no Mundial de Clubes parece ser suficiente para motivar a recuperação da concentração e volta do futebol competitivo. Isso ficou evidente no confronto com o Boca Juniors. independentemente da importância da Copa Sul-Americana, era a oportunidade para a Liga de Quito revalidar sua condição de força continental, mais ou menos como o São Paulo fez diante do mesmo adversário no ano passado.
Do jeito em que está, a LDU dependerá de um sorteio favorável para afastar o Pachuca do caminho e manter o tabu de sempre haver um sul-americano na decisão do Mundial de Clubes. Ainda assim, não seria nada surpreendente se o time equatoriano se enrolasse com o campeão asiático ou o africano.
Ubiratan Leal