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4/08/08

Brazil

Valdivia, um dilema palmeirense

Palmeiras_Alex Mineiro e Valdivia.jpg

No momento, Valdivia é um problema para o Palmeiras. Nada a ver com a mini-polêmica com Vanderlei Luxemburgo após a partida contra o Flamengo. A questão é que o clube não sabe o que fazer com ele. Em campo, ele varia momentos de condutor do time – como foi neste domingo contra o Ipatinga – e outros de grande ausência espiritual – como vinha sendo no Brasileirão até semana passada. Fora de campo, gerenciar a presença ou não do chileno no elenco é um dilema com o qual os palmeirenses não têm sabido lidar.

O primeiro ponto é saber o que representa Valdivia. O chileno é um bom jogador. Tem habilidade, se movimenta com velocidade, se dispõe a combater no meio-campo, sabe irritar os adversários e se aproxima bem do ataque, ainda que a finalização não seja seu forte. Considerando que o meio-campo palmeirense tem um Diego Souza cada vez mais apagado, o ex-colocolino se torna a única válvula de escape para o setor de armação alviverde.

Por isso, o meia é tão importante para o desempenho geral do Palmeiras. Nesta semana, o gol contra o Flamengo saiu justamente em um momento de brilho do chileno, que teve visão de jogo para encontrar Sandro Silva avançando nas costas de Juan para colocar o volante na cara de Bruno. Dias depois, ele fez os dois gols alviverdes contra o Ipatinga. No primeiro, iniciou a jogada, tocou para Elder Granja e foi ao ataque para aproveitar o cruzamento. No segundo, finalizou de fora da área depois de jogada individual.

Quando Valdivia não está bem, o Palmeiras sente demais. Torna-se um time sem imaginação, que se arrasta em campo. As jogadas são prolixas, com muito preâmbulo e pouca objetividade (um símbolo disso é que o substituto imediato do chileno é Denílson). A dependência recai para uma particular inspiração de Alex Mineiro ou Kleber, isso quando esse último não está suspenso.

A influência do chileno no desempenho geral alviverde poderia ser um sinal inequívoco de como ele é necessário ao clube do Parque Antarctica. Mas não é bem assim. Valdivia é um bom jogador, mas apenas isso. Ele tem dificuldade de lidar com marcação forte, perde a cabeça mais que o desejável e não tem boas atuações com constância. A dependência do Palmeiras em seu futebol é mais um sinal de fragilidade do elenco palmeirense do que de grande qualidade do jogador.

Até por isso, o meia ainda não teve grandes propostas de clubes europeus. Para muitos, não se trata de um craque de nível internacional. Tanto que, quando esteve na Europa, defendendo Rayo Vallecano e Servette, o chileno não se destacou. A melhor oferta recebida pelo Palmeiras foi do Hertha Berlim, de € 6 milhões por 60% do vínculo do jogador.

A proposta dos berlinenses é ótima, até porque alguém pode perceber que o estilo de Valdivia é exatamente o oposto do que se pratica em países como Alemanha, Inglaterra e Itália – ele tem características mais adequadas para Espanha ou França. Mesmo assim, o Palmeiras reluta em vender o meia. Não que queira ficar com o chileno. É que a diretoria alviverde acha que pode conseguir mais por ele, e qualquer milhão a mais é fundamental para um clube que tem dificuldade para arcar com seus compromissos financeiros.

Ou seja, Valdivia é um grande pepino para os palmeirenses. Ele não resolve os problemas como os torcedores gostariam, mas o time foi mal planejado e acabou dependendo de um jogador instável. Vendê-lo pode ajudar no caixa e a não ter mais de pensar no chileno. No entanto, isso obriga o clube a reconhecer que precisa negociar um jogador importante, mas até agora não se mexeu para buscar um substituto.

Ou alguém acha que dá para conquistar o Campeonato Brasileiro com Denílson, Lenny, Maicosuel ou Léo Lima como referência na armação?

Ubiratan Leal

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