Desde que o Brasileirão adotou o sistema de pontos corridos, nenhum time fez uma campanha tão boa no primeiro turno quanto o Grêmio de 2008. Nem o Cruzeiro de Alex em 2003, nem o Santos de Robinho em 2004, nem o Corinthians de Tevez em 2005, nem o São Paulo de Muricy em 2006 e 2007. Nada indicava que os gremistas conseguiriam tal desempenho. Não pela falta de estrelas, mas pelos problemas que o time tem enfrentado desde o começo do ano.
O grande mérito do Grêmio até o momento tem sido a capacidade de manter a competitividade mesmo com várias mudanças. Houve reveses no processo, como a queda prematura no Campeonato Gaúcho, diante do Juventude, e na Copa do Brasil, contra o Atlético-GO. Mesmo assim, o balanço da trajetória tricolor na Série A compensa.
No início da temporada, o Grêmio apostou em Vagner Mancini e um elenco profundamente renovado em relação ao que Mano Menezes havia treinado no ano anterior. A nova estrela era o meia Roger. O futebol não era dos mais convincentes, como era de se esperar de uma equipe em formação. De qualquer modo, os resultados não eram dos piores. Por problemas com a diretoria, o técnico foi demitido e trocado por Celso Roth. Ninguém entendeu, mas a impressão é de que a desorganização tomaria conta na Azenha.
Sob novo comando, o time trocou o 4-4-2 pelo 3-5-2. A reação foi boa e houve ganho de consistência. Mas a situação voltou a ficar delicada com as saídas de Eduardo Costa (fim de empréstimo) e Roger (acertou com o Qatar). Os gremistas perdiam o jogador que dava segurança ao meio-campo e o homem de criação que vinha sendo decisivo. No entanto, mais uma vez o Grêmio mostrou seu poder de adaptação. Rafael Carioca e Tcheco entraram no time e, ainda que não tivessem tanta fama quanto os recém-saídos, se tornaram importantes figuras no novo esquema.
Não há grandes nomes, mas muita coesão. Rever, Pereira e Léo formam um trio defensivo dos mais competentes, que permitem que os volantes Rafael Carioca e William Magrão apóiem o ataque com relativa liberdade. Com Tcheco de referência na armação e Perea se movimentando bastante, os gremistas contam com muita consistência pelo meio. Como Anderson Pico e Paulo Sérgio são laterais/alas mais eficientes na marcação do que no ataque, o time centraliza as jogadas, mas aparece na frente sempre com uma quantidade de jogadores suficientes para ter força.
Talvez não seja um time poderoso o suficiente para ser considerado favorito em um campeonato em que o São Paulo ameaça decolar, o Cruzeiro pinta com jovens promissores, o Palmeiras tem parceiro forte e o Flamengo investiu pesado. Até porque o elenco gremista não tem tantas opções no banco. Mesmo assim, é inegável que, até agora, o Grêmio foi mais sólido que todos os concorrentes. Os números comprovam e deixam claro que, no mínimo, o Tricolor gaúcho merece ser levado em consideração.
Ubiratan Leal
CLIQUE AQUI PARA COMENTAR OU LER OS COMENTÁRIOS