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8/07/08

O mundo não é uma bola...

Seleção Balípodo da Libertadores 2008

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Final de Libertadores, LDU Quito campeã. Muito já se falou sobre o título equatoriano, o insucesso final do Fluminense, a queda do Boca Juniors. Mas é hora de pensar em quem se destacou no torneio. Afinal, bons jogadores participaram dessa edição da competição e muitos foram pouco observados ou não receberam os merecidos créditos pelas campanhas de seus times. Veja quem o Balípodo escolheu para o time ideal da Libertadores 2008.

Ochoa (América-MEX)
Se não fosse pelo goleiro, o América nem teria passado pela primeira fase. Apesar da falha decisiva no jogo de dia das semifinais contra a LDU Quito, Ochoa apresentou um enorme repertório de malabarismos para impedir que a bola passasse por ele. Nenhum outro goleiro da competição foi tão decisivo no resultado final de sua equipe.

Adrián González (San Lorenzo)
Na falta de grandes laterais-direitos, Adrián González foi uma feliz exceção. Meia-direita de formação, González jogou parte da competição recuado. Mesmo de trás, impôs sua liderança como capitão e símbolo do San Lorenzo. Sua participação, ainda que discreta para os torcedores, ajudou a conduzir os curvos em sua sofrida campanha.

Thiago Silva (Fluminense)
Apesar de jovem, já é um grande zagueiro. Tem porte físico, colocação, velocidade e capacidade de recuperação. Falta um pouco de experiência em alguns momentos, como ficou evidente em algumas precipitações nas finais da Libertadores. De qualquer modo, a atuação contra o São Paulo já lhe tinha crédito o suficiente para ficar como melhor defensor do torneio.

Colotto (Atlas)
Como o Atlas não enfrentou equipes brasileiras, Colotto ficou longe dos olhares por aqui. Mas merece um lugar na seleção da Libertadores. O zagueiro argentino mostrou critério para se colocar dentro da área, tem boa antecipação e sabe se posicionar na área adversária quando apóia.

Júnior César (Fluminense)
Foi uma das principais alternativas ofensivas do Fluminense na Libertadores. Os avanços de Júnior César pela esquerda ajudaram a desafogar o sistema de armação e a abir um pouco o jogo. Defensivamente, não está entre os melhores laterais, mas teve bom desempenho marcando Guerrón na partida de volta da final. E pensar que o Fluminense contratou Gustavo Nery no começo do ano...

Urrutia (LDU Quito)
Líder do meio-campo da LDU Quito, a capacidade de marcação de Urrutia ajudou a dar estabilidade a um time ofensivo por vocação. Considerando o bom desempenho da equipe, inclusive a relativa segurança defensiva, vê-se que o volante foi bem sucedido.

Jorge Wagner (São Paulo)
Na apagada campanha são-paulina, Jorge Wagner e Adriano formaram uma dupla funcional. O primeiro cruzava com precisão e o segundo completava par ao gol. Essa fórmula empurrou o Tricolor até as quartas-de-final, um desempenho até razoável pela baixa qualidade do futebol apresentado. Como Jorge Wagner ainda apresentou boa capacidade de ocupar o setor esquerdo e sua saída era bastante sentida, ele acaba cavando uma vaga na seleção do campeonato.

Thiago Neves (Fluminense)
Durante boa parte da campanha do Fluminense, Thiago Neves foi ofuscado pelo companheiro Conca. Até as quartas-de-final, contra o São Paulo. A partir daí, Neves assumiu para si o protagonismo. Teve boas atuações contra o Boca Juniors e, principalmente, carregou o Tricolor nos duelos contra a LDU Quito. O fato de ser o primeiro jogador a marcar três gols no jogo final de uma Libertadores já seria suficiente para colocá-lo na seleção do torneio.

Riquelme (Boca Juniors)
O mau desempenho do meia contra o Fluminense deixou um gosto de decepção. Nada mais injusto. Riquelme passou todo o primeiro semestre com problemas físicos, mas, quando pôde jogar, foi fundamental para conduzir o meio-campo do Boca. Foram suas jogadas que permitiram a Palermo e Palacio estar entre os principais atacantes do continente no ano.

Guerrón (LDU Quito)
Considerando que a LDU Quito foi a campeã da Libertadores, Guerrón foi o principal jogador do torneio. Driblador, rápido e forte, caía pela direita como um ponta, atrapalhando a marcação dos adversários e abrindo espaço para os companheiros fecharem pelo meio. Ainda há dúvidas se seu futebol vingará na Europa, até porque mostrou falhas na finalização. De qualquer modo, para a Libertadores 2008, Guerrón foi mais do que ideal para as necessidades da LDU.

Cabañas (América-MEX)
O Brasil descobriu Cabañas. Foi só o rechonchudo atacante paraguaio ajudar na eliminação de Flamengo e, depois, Santos, que a imprensa brasileira passou a tratá-lo como uma mistura de “matador infalível” com personagem folclórico. No entanto, Cabañas já é um dos principais atacantes das Américas há anos. O oportunismo mostrado na Libertadores apenas confirmou tal condição.

Edgardo Bauza (LDU Quito)
O 4-2-3-1 que se transforma em 3-3-3-1 ou 3-3-1-3 da LDU Quito deu incrível mobilidade tática e capacidade de se adaptar ao adversário. Tudo isso saiu do trabalho do argentino Edgardo Bauza, que conseguiu, desse modo, superar a inferioridade técnica de sua equipe para levá-la a um inédito e surpreendente título da Libertadores.

Ubiratan Leal

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