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15/07/08

Brazil

Quedas de Botafogo e Santos eram esperadas

Santos 2x2 Botafogo 2008.jpg

Campeonato Brasileiro 2007. O Botafogo liderou quase todo o primeiro turno e esteve na luta por uma vaga na Libertadores até a metade do segundo. O Santos começou mal, mas engrenou e acabou com o vice-campeonato. No início de 2008, outros bons sinais. Os santistas chegaram às quartas-de-final da Libertadores e os botafoguenses alcançaram a final do Estadual do Rio. De repente, essa estrutura caiu. O Santos luta contra o rebaixamento e o Botafogo está no pelotão intermediário. Uma queda esperada pelo modo como os clubes trabalharam a transição.

Curiosamente, há um personagem em comum nessas duas histórias: Cuca. O técnico comandava o Botafogo e, depois de deixar General Severiano, aportou na Vila Belmiro. A má fase dos cariocas está ligada à sua saída. E o momento ruim dos paulistas se agravou com sua chegada. É compreensível.

Cuca é um bom técnico, mas faz times elaborados. No Botafogo, montou uma equipe muito competitiva com pouco dinheiro. Para isso, teve olho aguçado para identificar jogadores úteis a preços acessíveis e criou um sistema de jogo muito interessante, com movimentação incessante dos atacantes e muita troca de posições dos defensores. O time se tornou ofensivo e surpreendente, criando dificuldade para os adversários.

Fazer um time atuar dessa forma é complicado. O técnico precisa de muito tempo para fazer os jogadores absorverem as idéias do treinador, até porque tamanha movimentação só é eficiente com bastante entrosamento. Além disso, Cuca conhecia muito bem as características de seus jogadores, a ponto de conseguir encaixá-los de maneira adequada no sistema tático.

Quando o Botafogo ficou sem Cuca – rompimento amigável após a eliminação da Copa do Brasil –, abriu caminho para a má fase. Independentemente de quem fosse contratado, o time cairia. O novo técnico não teria como manter um esquema de jogo tão personalizado como o que Cuca implementou em General Severiano. Além disso, para impor o seu, o treinador levaria muito tempo para conhecer os jogadores, tirar deles o instinto de reagir de acordo com o sistema de jogo antigo e fazê-los atuar em cima de suas idéias.

Considerando que Geninho não é um técnico que vive um grande momento, a queda de rendimento do Botafogo era ainda mais natural. Foi o que ocorreu. O time ficou perdido e sem personalidade. Não é à toa que jogadores como Wellington Paulista e Jorge Henrique caíram tanto de rendimento. Com Ney Franco, há uma nova chance de recomeçar o trabalho. Talvez, com Geninho fazendo uma transição, o trabalho do novo técnico seja mais bem sucedido.

A trajetória do Santos também tem muita relação com a filosofia de trabalho de Cuca. No início do ano, Leão foi contratado por aceitar trabalhar com um elenco limitado e sem perspectiva de reforços. Na base da garra, conseguiu arrancar bom futebol de alguns jogadores e criou um “casamento” momentâneo entre time e torcida para os jogos na Vila Belmiro pela Libertadores.

Quando os santistas caíram na competição internacional, os problemas se expuseram. Por sua personalidade forte e estilo autoritário, Leão não tinha tantos aliados no elenco. Alguns jogadores não escondiam o desejo de ter outro comandante. O Peixe teve um péssimo início de Brasileirão e mudou de técnico. Trouxe justamente Cuca.

O ex-botafoguense pegou uma equipe desmontada, sem esquema de jogo e coesão nos vestiários. Tecnicamente, o time tem força o suficiente para não cair para a segunda divisão. Mas, com uma fragmentação interna tão grande, o desempenho em campo é especialmente ruim. Como Cuca tem preferência por sistemas táticos elaborados e explora o potencial de todos os seus jogadores, ele precisará de tempo para montar o Santos a seu gosto. Como ocorreu com o Botafogo.

Enquanto esse processo de desenvolvimento não se completa, os santistas têm um time cheio de falhas. O mesmo vale para o Botafogo. Ambos escolheram um caminho que pode ter sucesso, mas depende de tempo. Assim, os maus resultados eram esperados e fazem parte do trabalho do treinador. O problema é que nem sempre é fácil ter paciência para controlar o desânimo.

Ubiratan Leal

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