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21/07/08

Brazil

Jogando pelo meio, Corinthians cai

Corinthians 0x1 Bahia 2008.jpg

O Corinthians tem tudo para ser campeão da Série B com os pés nas costas. E tropeçar em algumas partidas é mais do que normal, até porque o time corintiano, por melhor que seja diante dos adversários, não é infalível. Por isso, perder em casa para o Bahia não é um bom resultado, mas não chega a ser uma tragédia. De qualquer modo, essa derrota tem explicação em algo mais que o acaso. Como tem sido a queda de rendimento corintiana nos últimos jogos.

O Alvinegro nitidamente passa por uma oscilação. E parte disso se deve a uma mudança no estilo de jogo. Em seu melhor momento no ano, no início da Série B com reta final de Copa do Brasil, o time ganhou solidez em um 4-2-3-1. No sistema, Fabinho e Eduardo Ramos ficavam como volantes, dando proteção a um trio de armação: Dentinho pela esquerda, Lulinha pela direita e Douglas (ou Diogo Rincón) distribuindo o jogo pelo meio. Na frente, Herrera era a referência.

Com esse esquema, Lulinha e Dentinho tinham liberdade para abrir o jogo e tabelar com os laterais até levar a bola à linha de fundo. Isso obrigava a defesa adversária a se espalhar de lateral a lateral do campo, dando um pouco mais de espaço para Herrera brigar por espaço na área.

Nas últimas partidas, Mano Menezes mudou o sistema. Dentinho se tornou segundo atacante, enquanto que Lulinha e Elias se tornaram alas em um meio-campo em diamante. Não vem funcionando, sobretudo porque matou as jogadas pelas laterais.

Na direita, Elias não tem como característica cair pela ponta e mata as jogadas, porque o lateral que fica a seu lado, Carlos Alberto, é volante de origem e tem muito mais familiaridade com a marcação do que com o apoio. Denis é uma opção mais ofensiva, mas está sem ritmo. Pela esquerda, Lulinha está muito distante da linha de fundo e, como se vê obrigado a marcar, fica mais preso (e com menos condição de chegar à ponta). Para piorar, o lateral-esquerdo é André Santos, cujo futebol caiu muito desde que começaram as especulações de negociação com algum clube europeu.

Com isso, todas as jogadas corintianas acabam passando pelos pés de Douglas, que fica sobrecarregado e sem ter alguém ao lado para abrir pelos flancos. O jogo alvinegro, por conseqüência lógica, se concentra pelo meio, facilitando demais o trabalho da defesa adversária. O Bahia mostrou isso: congestionando o meio, o Corinthians não sabe o que fazer. Os meio-campistas trocam passes na intermediária, mas não há penetração. Enquanto isso, Dentinho e Herrera ficam perdidos no meio de tantos zagueiros.

Como é muito superior tecnicamente, é provável que o Corinthians acabe encontrando uma solução para esse problema e volte a se impor na Segundona. No entanto, a dificuldade para se adaptar a uma pequena mudança tática já mostra como o time tem limitações.

Ubiratan Leal

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