Duas idas a Montevidéu, duas derrotas por 3 a 0. O Flamengo colecionou dois resultados decepcionantes quando teve obstáculos reais fora de casa pela Libertadores. Perdeu para o Defensor Sporting em 2007, no que custou a eliminação na competição, e para o Nacional neste ano. Nem parece o mesmo time que estreou nas oitavas-de-final vencendo por 4 a 2 o América-MEX no estádio Azteca.
O marco para a mudança de rumo foi a vitória por 3 a 0 sobre o Cienciano em Cuzco. Foi um jogo aguardado com muita ansiedade – mais que o necessário – pelo flamenguistas, pois era a primeira partida do time na altitude desde o traumático empate por 2 a 2 com o Real Potosí em 2007. A expectativa era de sofrimento semelhante com a altitude, mas com o agravante que o adversário era mais forte e o resultado, mais decisivo para a classificação rubro-negra.
Nada disso aconteceu. O Flamengo cadenciou a partida, impôs-se tecnicamente e, nos contra-ataques, matou a equipe peruana. Os efeitos da altitude foram mínimos, o que vai também um reconhecimento ao trabalho cuidadoso do departamento médico do clube. De qualquer modo, essa vitória nos Andes teve um efeito moral gigantesco.
O Flamengo parece se sentir capaz de tudo. Não há mais temor excessivo nos jogos como visitante, a altitude não soa como um obstáculo tão grande (ainda que o clube mantenha a defesa do veto a jogos acima de 2,5 mil metros) e o controle emocional é evidente.
Contra o América, os cariocas foram melhores durante todo o tempo. É verdade que a crise se instalou em Coapa há meses, mas as águilas conseguiam contornar um pouco os problemas na Libertadores. Contra o Flamengo, não foi suficiente. O time pareceu frágil diante do futebol insinuante e de contra-ataques rápidos dos rubro-negros.
Os 4 a 2 só foram assegurados com dois gols nos minutos finais, mas, pelo que se viu em campo, a vitória teria chegado mais cedo se não fossem duas falhas tolas da defesa flamenguista. Nada que manche o contundente resultado.
Se o Flamengo continuar apresentando esse futebol, pode entrar na lista de candidatos ao título. É verdade que a presença rubro-negra nessa relação depende muito de quem substituirá Joel Santana. Ainda assim, o time já embalou. É questão de manter esse ritmo.
Ubiratan Leal
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