Para muita gente, Zico é a referência de brasileiros que desbravaram o semi-profissional futebol japonês e o ajudaram a se transformar na rentável J-League. Pois, para os japoneses, houve outra figura quase tão importante quanto o Galinho. Não com a mesma capacidade técnica, mas com uma identificação com o Japão que o levou a fincar raízes no oriente. Trata-se de Ruy Ramos.
Carioca, jogava em equipes pequenas do Rio de Janeiro quando teve a chance de ir ao Yomiuri. Era 1977, ele tinha apenas 20 anos e o futebol japonês era um torneio amador de clubes sustentados por empresas. Ramos não se importou. Lá, a técnica do meia se sobressaía e ele virou ídolo.
A relação de Ramos com o Yomiuri foi tão íntima que o jogador ficou no clube por 19 anos. Nesse período, viu o clube se profissionalizar e mudar de nome para Verdy Kawasaki. Além disso, se naturalizou japonês em 1989, o que permitiu que ele defendesse a seleção japonesa.
Ramos participou das Eliminatórias para a Copa de 1994, quando o Japão só perdeu a vaga por tomar um gol do Iraque no último minuto do último jogo. Aos 39 anos, se transferiu ao Kyoto Purple Sanga e, em 1998, retornou ao Verdy para encerrar a carreira.
O carioca de nascimento já virara um japonês. Ele não voltou ao Brasil depois da aposentadoria. Após três anos parado, Ramos foi jogador-diretor técnico do Okinawa Kariyushi. Em 2005, dirigiu a seleção japonesa no Mundial de futebol de areia. Nos dois anos seguintes, retornou ao Verdy (que mudara de nome para Tokyo Verdy) como técnico.
Em 2007, sob o comando do nipo-brasileiro, o time alviverde retornou à primeira divisão japonesa. Ramos deixou o cargo de treinador para assumir a direção executiva do clube, posto que ocupa até hoje.
Ubiratan Leal
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