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11/04/08

Histórias

Os estaduais que ninguém viu

Ituano campeao 2002.jpg

Paysandu e São Cristóvão no Rio de Janeiro. Paranavaí no Paraná. Internacional de Limeira e Bragantino em São Paulo. Ipatinga em Minas Gerais. Brusque em Santa Catarina. Colo-Colo na Bahia. Goiatuba em Goiás. Mesmo nos Estados mais tradicionais, é normal haver um ou outro campeão estadual que foge do convencional. Mas em quatro deles – São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Paraná – há uma coincidência. Todos coroaram um time pouco tradicional em 2002.

O motivo não é segredo. Naquele ano, CBF, clubes e governo criaram um estranho modelo de calendário, supostamente para evitar o atropelo de competições. No primeiro semestre, os grandes clubes disputaram os campeonatos regionais e os pequenos ficaram nos estaduais. Pouco antes da virada do semestre, os grandes se juntaram aos melhores pequenos nos supercampeonatos estaduais. A Copa do Brasil seguiu em paralelo na primeira metade do ano. No segundo semestre, foi a vez do Brasileirão.

Pela própria mecânica do calendário, ficava evidente que os campeões em todos os Estados seriam times pequenos. Ou, no mínimo, equipes tradicionais que, pelo mau momento, não conseguissem vagas nos regionais. Seria assim, mas quase todas as federações adaptaram suas competições. Quase todas transformaram os estaduais em fases preliminares e os supercampeonatos em fases finais dos estaduais.

Paulistas, mineiros, baianos e paranaenses foram as exceções. Veja como foram esses campeonatos estaduais que, por terem só os pequenos, chamaram pouco a atenção da grande imprensa.

BAHIA: PALMAS PARA A FILIAL

Palmeiras Nordeste_logo.jpg

Em um campeonato com nove participantes, ter quatro disputando o título até as rodadas finais é sinal de equilíbrio. E assim foi o Campeonato Baiano 2002. Camaçari, Catuense, Cruzeiro e Palmeiras Nordeste disputaram ponto a ponto as primeiras posições. Antes da penúltima rodada, o Palmeiras tinha 26 pontos, seguido por Cruzeiro e Catuense (25) e Camaçari (22). No entanto, os palmeirenses só tinham um jogo a realizar.

Nesse cenário, qualquer tropeço pode ser fatal. Foi assim no 0 x 0 do confronto direto entre Catuense e Camaçari em Catu. O Cruzeiro também bobeou e ficou no 4 x 4 com o Poções, resultados que deram chance para o Alviverde praticamente assegurar um lugar na final após golear o Juazeiro por 4 x 0.

O Camaçari estava praticamente eliminado, pois precisava vencer e torcer por derrota dos dois concorrentes para chegar à final. Ainda assim, fez sua parte: 2 x 1 no Barreiras. No entanto, a combinação de que precisava não ocorreu. O Cruzeiro fez 3 x 0 no Colo Colo em Ilhéus. Restava à Catuense vencer e levar a decisão no saldo de gols. O time de Catu, porém, não passou do 0 x 0 com o vice-lanterna Juazeiro. Palmeiras Nordeste e Cruzeiro foram para a final.

No jogo de ida, em Cruz das Almas, os times ficaram no 1 x 1, gols de Fafá (Cruzeiro) e Ricardinho (Palmeiras Nordeste). A segunda partida consagrou a filial palmeirense no Nordeste, time fundado em 2000 como Independência que firmara acordo com os paulistas no final de 2001. Com gols de Dentinho e Ricardinho, o Alviverde fez 2 x 0 em Feira de Santana e ficou com o título inédito.

Time campeão: Manuca; Edvan, Paulo Ricardo, Neto e Neílton; Batistinha, Germínio, Jonga e Dentinho; Nildo e Serginho. T: Hélio dos Santos
Participaram: Atlético de Alagoinhas, Barreiras, Camaçari, Catuense, Colo-Colo, Cruzeiro, Juazeiro, Palmeiras Nordeste e Poções
Quem ficou de fora: Bahia, Fluminense e Vitória
No Supercampeonato: os três que estiveram no Nordestão se juntaram a Palmeiras Nordeste, Catuense e Cruzeiro. Os clubes mais tradicionais prevaleceram no hexagonal. Na decisão, entre os dois primeiros, o Vitória bateu o Fluminense.

MINAS GERAIS: ÁGUA MAIS FORTE QUE AÇO

Caldense_logo.jpg

O Campeonato Mineiro 2002 foi em pontos corridos e três times mostraram força para lutar pelo título: Villa Nova, Caldense e Ipatinga. Até o final do primeiro turno, o trio brigava ponto a ponto pela primeira posição. Isso mudou no começo do returno. O Villa perdeu três das quatro partidas e praticamente saiu da disputa.

Sobrou para Caldense e Ipatinga. A duas rodadas do fim, o time de Poços de Caldas tinha 22 pontos, um a mais que o Tigre do Vale do Aço. As duas equipes empataram e a distância se manteve, o que até deu nova esperança ao Villa Nova, que venceu e foi a 20 pontos. Mas não deu para o time de Nova Lima. A Caldense bateu o Nacional por 2 x 0, gols de Gustavinho e Carioca, e ficou com um inédito título estadual. O primeiro do interior desde 1964, quando a Siderúrgica de Sabará foi campeã.

Time campeão: Gilberto; Nilson, Nélson, Paulista e Adriano Numerato; Ramos, Beto (Joílson), Cleiton e Gustavinho (Inca); Zezinho (Buiú) e Carioca. T: Valter Ferreira
Participaram: Caldense, Ipatinga, Nacional, Rio Branco, Tupi, Uberlândia, URT e Villa Nova
Quem ficou de fora: América-MG, Atlético-MG, Cruzeiro e Mamoré
No Supercampeonato: pentagonal entre os quatro da Sul-Minas e a Caldense. O time de Poços de Caldas surpreendeu e bateu o Atlético no Mineirão na primeira rodada. Seguiu líder até o jogo final, quando perdeu par ao Cruzeiro por 4 x 0 e deixou o título escapar no saldo de gols.

PARANÁ: IRATY SUPERA GRANDES DO NORTE

Iraty_logo.jpg

A tradição do interior fez que o Paranaense 2002 tivesse equipes tradicionais – e supostamente favoritas – mesmo com a saída dos grandes. No caso, Grêmio Maringá e Londrina. Mas o passado não adiantou muito. Galo e Tubarão até fizeram boas campanhas, mas não tinham forças para acompanhar o ritmo do Iraty.

O time alviazul dominou o campeonato desde o início. Como o torneio era em pontos corridos, não ficou muita dúvida de quem ficaria com o título. A conquista foi oficializada na penúltima rodada, com vitória por 1 x 0 sobre o Rio Branco em Paranaguá. O gol do título foi de Paulista, aos 20 minutos do segundo tempo, dando ao Iraty alguma notoriedade além de ser a de um dos clubes que vende mais jovens no futebol brasileiro.

Time campeão: Fábio; Daniel, Nogueira, Rodrigo e Herminho; Giba, Ivan, Jean (David) e Caniggia; Alcides (Ninho) e Ratinho. T: Lívio Vieira
Participaram: Grêmio Maringá, Iraty, Londrina, Ponta Grossa, Portuguesa Londrinense, Prudentópolis, Rio Branco e União Bandeirante
Quem ficou de fora: Atlético-PR, Coritiba, Malutrom e Paraná
No Supercampeonato: dois grupos de quatro, com os times a Sul-Minas se unindo a Iraty, Grêmio Maringá, Londrina e Prudentópolis e os dois primeiros de caa chave indo para o mata-mata. Os três grandes de Curitiba foram muito superiores e o Atlético fganhou o título em cima do Paraná. Ainda assim, o Iraty conseguiu um lugarzinho nas semifinais

SÃO PAULO: EQUILÍBRIO ATÉ O FIM

Ituano_logo.jpg

Faltavam duas rodadas para o final do Paulistão 2002 e cinco times disputavam o título. Ituano tinha 37 pontos, Santo André e União São João, 33, e Rio Branco e Juventus, 31. O Galo parecia folgado, mas perdeu em casa para a equipe de Araras e tudo se embolou. Ou quase, porque o Santo André caiu no Bruno José Daniel para a fraca Inter de Limeira e ficou sem chances.

Na última rodada, quatro equipes tinham chances matemáticas de título, ainda que Juventus e Rio Branco dependessem de milagres. Ambos venceram seus jogos contra Internacional e União Barbarense, mas a simples vitória do União São João sobre a Matonense já deixou paulistanos e americanenses sem chances. Ainda assim, o título foi para Itu. Em um jogo dramático, o Ituano venceu o América em São José do Rio preto por 1 x 0, gol de Silvinho aos 40 minutos do segundo tempo.

Time campeão: André Luiz; Giuliano, Vinícius, Erivélton e Lúcio; Everaldo, Richarlyson (André Bocão), Élson e Tita (Silvinho); Basílio e Fernando Gaúcho (Lelo). T: Ademir Fonseca
Participaram: América, Botafogo, Internacional, Ituano, Juventus, Matonense, Mogi Mirim, Portuguesa Santista, Rio Branco, Santo André, União Barbarense e União São João
Quem ficou de fora: Corinthians, Guarani, Jundiaí, Palmeiras, Ponte Preta, Portuguesa, Santos, São Caetano e São Paulo
No Supercampeonato: Semifinais e final entre os três melhores do Rio-São Paulo (Corinthians, São Paulo e Palmeiras) com o Ituano. O time de Itu bateu os reservas do Corinthians, mas sucumbiu diante do Tricolor na decisão

Ubiratan Leal

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