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13/04/08

O mundo não é uma bola...

O Uruguai também tem River Plate bom

River Plate-URU 2008.jpg

Para a temporada 2008, Nacional e Peñarol decidiram botar a mão no bolso. Os dois grandes do Uruguai investiram em reforços e montaram equipes fortes. Os resultados foram vistos imediatamente. A dupla faz campanha convincente, com apenas três jogos sem vitória na soma das campanhas. Ainda assim, nenhum deles é líder. Esse status está com o surpreendente River Plate.

O time de La Dársena tem o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato. Empatou uma partida (2 a 2 diante do Peñarol, empatando depois de estar com 0 a 2 contra) e venceu todas as demais. Nesse caminho, há placares aviltantes como 4 a 1 no Cerro, 7 a 0 no Rampla Juniors (vice-campeão do Apertura), 5 a 1 no Danubio fora de casa, 5 a 0 no Tacuarembó e 3 a 0 no Progreso fora de casa.

Por trás dessa campanha está um personagem já conhecido no Brasil: Juan Ramón Carrasco. Ex-jogador do São Paulo, o técnico comandou a seleção uruguaio no início das Eliminatórias para a Copa de 2006. Sua contratação tinha como base a excelente campanha com o Fénix, pequeno time que, com um futebol ofensivo e heterodoxo, conquistou uma vaga na Libertadores de 2003.

Na Celeste, o trabalho de Carrasco não foi dos melhores. JR exagerou na ofensividade e o time se desmanchou atrás, a ponto de perder em casa para Venezuela e Peru, sofrendo três gols em cada um desses jogos. Depois de sua demissão, o técnico ficou sumido e voltou no início da temporada 2007/8 para comandar uma equipe pequena. No caso, o River Plate.

O treinador continuou fiel a suas crenças. Manteve um time ofensivíssimo e obteve resultados razoáveis. No Apertura, os darseneros foram quartos colocados, empatados em pontos com o Nacional. O time ainda teve o melhor ataque da competição, com 37 gols em 15 jogos.

O principal responsável foi Richard Porta. O atacante nascido na Austrália e criado no Uruguai alcançou a incrível marca de 19 gols em 15 partidas. Um desempenho que lhe valeu a artilharia da competição (ao lado de Stuani, do Danubio) e uma transferência para o Siena em janeiro. Com o dinheiro da venda de seu goleador, o River preferiu investir na infra-estrutura. Está nos planos a instalação de iluminação no Parque Saroldi, que poderia receber jogos noturnos.

O mais importante é que a base jovem foi mantida, só que está um semestre mais experiente. Ainda que não tivesse mais Porta, Carrasco continuou contando com a mesma estrutura de meio-campo. O sistema de jogo pôde ser mantido, com um 3-4-3 com meio-campo em diamante.

A figura mais importante do time é Roberto Flores, meia de referência na armação. As jogadas passam por seus pés, de onde a bola é distribuída nos atacantes. Henry Giménez cai mais pela direita e Urretaviscaya abre na esquerda, com Sergio Souza um pouco mais fixo no meio. Isso em teoria, porque há troca de posições constantes entre esses quatro jogadores e, eventualmente, dos meias abertos que também ajudam em jogadas pelas pontas.

A poderosa campanha do River Plate no Clausura também é reflexo da melhora na defesa, que tomou quase dois gols por partida no Apertura. Darío Flores, formado no Parque Saroldi, mas que estava no Montevideo Wanderers, foi a única contratação mais importante da equipe no início do ano. E fez total diferença. Como homem de centro na linha defensiva de três, ele deu mais estabilidade e confiança à retaguarda darsenera.

Em um campeonato escasso de técnica, é bem vinda a aparição de uma equipe ofensiva e vencedora. Ainda mais em um time pequeno, que deixa de lado o temor natural da derrota para ousar e surpreender. É cedo para cravar que o River Plate é favorito ao título do Clausura (que daria um lugar na final anual contra o Defensor Sporting, sendo que os darseneros nunca foram campeões uruguaios), até porque Peñarol e Nacional estão fortes. De qualquer modo, é um time que merece crédito e tem jogadores que merecem ser observados.

*

Pode parecer incrível, mas o River Plate uruguaio não tem o nome inspirado no homônimo argentino. No início do século passado, um navio inglês passou por Buenos Aires e Montevidéu com a inscrição “River Plate” como destino (estava errado, pois “River Plate” é “rio prato” ou “prato do rio”, e não “rio da Prata”). Clubes com esse nome foram fundados nas duas cidades. O River Plate uruguaio (River Plate Fútbol Club) foi um dos mais importantes da era amadora, conquistando os títulos de 1908, 10, 13 e 14. O time fechou as portas em 1929, mas foi homenageado em 1932, quando o Olimpia e o Capurro se fundiram e para o surgimento do Club Atlético River Plate.

Ubiratan Leal

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