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1/04/08

O mundo não é uma bola...

Muita confusão e esquizofrenia. Esse é o PSG

Paris Saint-Germain 2008.jpg

Único time importante da maior cidade de seu país. Aliás, de uma das maiores cidades da Europa. Além disso, tem a possibilidade de concentrar investimentos da capital da segunda maior economia da Europa. Os estádios lotam em quase todos os jogos. Com esse cenário, parece bem óbvio que o clube tem tudo à mão para ser uma potência continental. Na pior das hipóteses, uma força nacional. Por isso, é tão difícil entender como o Paris Saint-Germain não consegue nada melhor do que lutar para fugir do rebaixamento na Ligue 1.

O PSG talvez seja o clube europeu que mais se parece a um grande brasileiro quando se afunda em crise. Diretoria desorientada, sem capacidade de controlar os ânimos para realizar um plano de médio prazo, imprensa impaciente e torcida barulhenta que acha que o time é maior do que realmente é. O problema é que os parisienses vivem em um estado quase eterno desse tipo de crise, ao contrário dos brasileiros que, muitas vezes, têm em alguma vitória no dérbi local ou em um brilhareco no estadual como refúgio.

A origem da esquizofrenia do Paris Saint-Germain começa na origem do clube. Fundado na década de 1970, o PSG teve origem no pequeno Stade Saint-Germain, que mudou de nome para receber apoio da prefeitura. O objetivo era ter um time parisiense entre os mais fortes da França, em uma época que o domínio era do Saint-Etienne. Logo no primeiro ano, já há cisão na diretoria, dividindo o clube em dois: Paris e o Paris Saint-Germain.

Ainda que tenha enfrentado esses problemas internos no início, o fato de surgir como principal representante de Paris fez do PSG um grande. Mesmo que não tivesse história. Depois de um tempo, ainda veio o apoio financeiro de empresas como a Vivendi-Universal, um dos maiores grupos de entretenimento do mundo. O dinheiro não parou de fluir, mas a pressão cresceu na mesma proporção.

Psicologicamente, o PSG é um desastre. Cobra-se por resultados de um grande clube, mas os parisienses têm apenas dois títulos franceses, sete Copas da França e uma Recopa. Só. Um currículo muito inferior a Saint-Etienne, Olympique de Marseille, Lyon e Monaco. Desse modo, os jogadores sempre entram em campo com a obrigação de conquistar algo que o clube nunca teve em sua história.

O comportamento da torcida não ajuda. Além de exigente, ela própria muitas vezes protagoniza eventos que prejudicam o time. Com manifestações racistas e violência desestabiliza o ambiente no clube e torna ainda mais difícil a busca por tranqüilidade, fundamental para superar as crises.

Para piorar, a direção do clube foi várias vezes envolvida em escândalos de corrupção, o que tira autoridade dos dirigentes diante do elenco. Além disso, a falta de planejamento é atroz, a ponto de se contratar bons jogadores, mas sem critérios técnicos. Muitas vezes, chegam reforços que não são necessários, enquanto que outras funções continuam fragilizadas. Outro problema é a ineficiência das categorias de base – uma virtude de muitos clubes franceses – do PSG.

A soma de fatores negativos consegue transformar o potencial econômico do clube em crise. Nesta temporada, o time conta, desde a primeira rodada, com Landreau (terceiro goleiro da França), Pauleta (maior artilheiro da Ligue 1 em atividade), Luyindula (promessa que não explodiu, mas tem experiência internacional de sobra) e Rothen (uma das principais figuras do Monaco vice-campeão da Liga dos Campeões 2003-04), além de outros nomes interessantes como Mendy, Ceará e Yepes. Um elenco como esse poderia lutar por um lugar em copa européia, mas não consegue superar equipes como Lorient, Valenciennes e Caen.

No desespero, o tamanho e a experiência dos jogadores podem salvar o Paris Saint-Germain de um vexatório rebaixamento. O clube, porém, precisa ainda fazer muito para chegar o nível que dele se imagina (e cobra). Dá para ser potência continental, mas, sem uma reformulação geral, o clube continuará patinando até na mediana Ligue 1.

Ubiratan Leal

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