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4/04/08

Cultura & Mídia

La Pasión Laica

Midia_La Pasion Laica.jpg

Com uma população do tamanho da Grande Fortaleza e espremido geograficamente entre os gigantes Brasil e Argentina, o Uruguai é um fenômeno futebolístico. O país colonizado por espanhóis, ocupado por imigrantes (sobretudo italianos) e com cultura com fortes raízes nos poucos negros e nos quase inexistentes indígenas foi bicampeão olímpico e mundial e revelou alguns dos maiores craques de suas épocas. É difícil entender como uma nação tão pequena e despovoada conseguiu se tornar uma potência no esporte mais popular do mundo e criar uma cultura futebolística complexa, que sobrevive mesmo na decadência técnica e institucional das últimas décadas.

Um bom modo de conhecer os fatores que permitiram aos uruguaios se tornarem uma potência do futebol é ler “La Pasión Laica – Una breve historia del fútbol uruguayo”, livro do jornalista e historiador Alejandro Giménez Rodríguez. O livro resume a história do futebol charrúa, dos primeiros ingleses que disputaram partidas amistosas entre si até a situação atual, com times fracos e os principais jogadores emigrando à Europa antes mesmo de estourarem na América do Sul.

O fato de a obra trazer um panorama geral do que ocorreu em mais de um século de futebol uruguaio dá ao leitor uma boa capacidade de ver como os fatos se sucederam. Com isso, fica evidente como as oscilações ao longo da história se desenvolveram, qual a relação entre o torcedor e os times, como os clubes – inclusive os pequenos – surgiram e de que modo se construiu a hegemonia da dupla Nacional-Peñarol.

Um caso claro (só para contar um pouco sem entregar o conteúdo) é a relação do uruguaio com a sensação de grandeza. No Brasil, imagina-se que o Uruguai vive da nostalgia de algo longíquo, pois a Celeste Olímpica não ganha uma Copa do Mundo desde 1950 e não chega às semifinais desde 1970. Mas essa é uma visão limitada.

Entre os clubes, o Uruguai produziu equipes campeãs continentais e mundiais até o final da década de 1980 (Peñarol campeão da Libertadores em 1987 e Nacional campeão da Libertadores e Mundial em 1988). Considerando que quase todo o país torce para um desses times, os torcedores se viam na elite do futebol internacional até 20 anos atrás. Já faz um tempo, mas não é tão remoto quanto 1950.

A obra pode ser lida rapidamente, até porque passa com relativa rapidez pelos assuntos. O que é negativo para quem gosta de profundidade. Por exemplo, o autor não aborda com tantos detalhes a realidade da OFI (Organización del Fútbol del Interior), entidade que rege as competições fora de Montevidéu, cheias de equipes semi-amadoras e que não aparecem nos torneios da AUF (federação uruguaia).

De qualquer modo, não chega a ser um problema para um brasileiro médio. Como seu interesse no futebol uruguaio tende a ser limitado, essa característica da publicação pode até ser vista como uma virtude. Por não ter um texto particularmente brilhante, o livro é de fácil compreensão. Além disso, não é tão profundo, permitindo a leitura rápida e sem informações que um não-uruguaio pode considerar desnecessária.

O importante, que é dar pistas de como um país como o Uruguai se tornou uma força futebolística, está lá. Já é o suficiente.

Mais informações
“La Pasión Laica – Una breve historia del fútbol uruguayo” foi publicado pela Rumbo Editorial e tem 256 páginas. O livro foi lançado em 2007.

Ubiratan Leal

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