Hoje, Edmundo serve de referência sobre o que é um bad boy, um jogador que cria tanto problema que ofusca seu imenso talento. Pois o atacante que se divide eternamente entre Vasco e Palmeiras ainda está longe de igualar Almir, talvez o maior presepeiro e arrumador de encrenca do futebol brasileiro.
Almir nasceu em Recife e ficou conhecido como Pernambuquinho. Começou a carreira no Sport e passou por Vasco, Corinthians, Fiorentina, Boca Juniors, Genoa, Santos, Flamengo e América-RJ antes de encerrar a carreira. Jogador de talento incontestável, o atacante também defendeu a seleção brasileira.
Mesmo quando estava no auge, não dispensava uma boa briga. Duas ficaram históricas. Em 1959, foi um dos principais personagens de uma briga campal em um Brasil x Uruguai. Sete anos depois, pelo Flamengo, prometeu que não deixaria o Bangu dar o volta olímpica caso conquistasse o título sobre o Rubro-Negro. Quando a conquista alvirrubra parecia irreversível, Almir provocou outra briga campal e o jogo acabou naquele momento. Com nove jogadores expulsos (cinco do Flamengo), mas sem volta olímpica.
O atacante ainda admitiu que entrou em campo dopado no Santos x Milan que decidiu o Mundial de Clubes de 1963. Os santistas venceram por 1 x 0, gol de Almir. A fama de encrenqueiro era tamanha que Nélson Rodrigues o apelidou de “Divino Delinqüente”.
Depois de encerrar a carreira, relatou vários detalhes de sua vida para os jornalistas Fausto Neto e Maurício Azedo. As histórias, cheias de denúncias dos bastidores do futebol da época, eram publicadas em capítulos semanais na revista Placar quando Almir morreu. Foi morto ao defender um amigo em uma briga de bar.
Ubiratan Leal
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