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19/02/08

Cultura & Mídia

Dicas para fazer um blog de futebol

Todo jornalista – ou quase todo, para não generalizar gratuitamente – gostaria de ter um veículo seu. Um veículo sobre o qual tivesse controle de pauta, de texto e de imagem, com independência para trabalhar sem influência de um chefe ou do departamento comercial. Por isso, criar um blog se tornou fato comum para jornalistas e, principalmente, estudantes de jornalismo. O problema é que ainda há muita gente tateando essa linguagem.

Não há receita pronta para fazer um blog futebolístico bom ou de sucesso. De qualquer modo, é possível identificar alguns erros recorrentes, que levam páginas de potencial a ficar no “quase”. Assim, veja algumas dicas.

1) Objetivo
É preciso definir qual o objetivo do blog. Se for apenas um espaço para uma pessoa publicar despretensiosamente suas idéias sobre o futebol, não há muitas limitações. É apenas a diversão da pessoa e a quantidade de acessos ou comentários não importa muito.

A questão fica delicada se o blogueiro cria expectativas. Muitas vezes, são profissionais ou estudantes em busca de um espaço. Aí vai o erro. Muitos confundem popularidade com reconhecimento. Aí, priorizam número de acessos e comentários à qualidade destes. Ter muitos leitores não é tão difícil. Basta tocar em assuntos polêmicos, xingar os outros ou criar pretextos para publicar fotos pornográficas.

Duro mesmo é atrair para si os leitores mais influentes, que podem dar a oportunidade que alguns desses blogueiros buscam. Aí, ter conteúdo interessante se torna fundamental.

Por fim, é preciso conhecer a capacidade de crescimento da página e estabelecer suas possibilidades de acordo com isso. Muitos – principalmente os estudantes de jornalismo – acham que o blog é o futuro da profissão. Não é. É apenas mais uma ferramenta de comunicação que entrou em um universo de mídias online que já conta com sites, podcasts, vídeos e jogos, entre outros meios.

2) Linha editorial
Blog pressupõe uma página pessoal. É normal que o tom dos textos varie de acordo com o humor do criador do espaço. Isso é aceitável em blogs que sejam lidos apenas por amigos de seu dono. No entanto, se o criador imagina que a página é um veículo de comunicação jornalística, ele precisa definir o escopo de trabalho e qual o tipo de texto que será publicado.

Os limites podem até ser amplos. Ainda assim, é melhor do que não ter nenhum. Em longo prazo, a liberdade total leva a página a perder seu rumo e fazer que o caminho mais fácil (comentar os fatos da semana, veja item 3 para entender) prevaleça.

3) Conteúdo
Esse é o grande desafio do criador de blog. Um blog de futebol – ou de qualquer outro assunto – é lido basicamente em três circunstâncias: se o leitor é amigo do dono da página, se o conteúdo é interessante ou se a pessoa é famosa e sua opinião se torna importante. E aí muita gente se embanana, tanto em blogs individuais quanto em coletivos.

O mais comum é o blogueiro usar o espaço na internet para esparramar suas opiniões sobre fatos recentes. Essa receita só serve para pessoas conhecidas e, ainda assim, é um desperdício da ferramenta. Uma pessoa que busca oportunidade ou reconhecimento precisa criar algo novo, aproveitar que tem um veículo maleável e independente para fugir do que já existe em outros blogs ou outras mídias. Caso contrário, só será lido pelos amigos.

Desse modo, comentários da semana ou do dia têm muito pouco peso. O caminho é produzir conteúdo inédito. Um meio é se especializar em um assunto pouco abordado pela mídia tradicional, como, por exemplo, cobertura intensiva do futebol africano. Assim, é possível trazer muita informação exclusiva e aprofundada, ainda que limite a quantidade de leitores.

Outro caminho, o mais recomendado e difícil, é partir para a reportagem ou pesquisa. Apurar informações e entrevistar fontes para “furar” a grande imprensa toma tempo e dinheiro, duas coisas que o blogueiro nem sempre tem à disposição. No entanto, dá status ao dono da página por ser uma eventual prova de competência e rapidez jornalística.

4) Divulgação
O blogueiro precisa ser paciente. Não dá para imaginar que, em um mês de textos publicados, sua página já será conhecida. Assim, é recomendável espalhar entre as pessoas próximas no início, como um período de testes.

Quando o conteúdo já estiver consolidado e o próprio blogueiro tiver mais segurança de qual será a cara do espaço e tiver um grupo de textos caprichados, pode divulgar para comunidades ou pessoas relacionadas ao tema. Mas não se deve abusar, sob o risco de parecer spam e funcionar como propaganda negativa. Ter links em páginas semelhantes já está bom no começo.

5) Atualização
Outro desafio. O blogueiro precisa realmente gostar do que faz. Ainda que o reconhecimento não venha, é preciso atualizar a página constantemente para passar credibilidade e criar, no leitor, o costume de voltar a ela com alguma periodicidade. Recessos mais longos (como viagem de férias do dono do espaço) precisam ser avisados e a data do retorno, respeitada.

Exagerando um pouco: se o blog é um veículo de comunicação, tem responsabilidade com o leitor; uma revista não deixa de sair em um mês porque seus editores estão cansados. Claro que, em uma página de internet, há uma margem aceitável de não-atualização. Mas não podem ser freqüentes demais.

6) Conclusão
Independentemente do caminho seguido, o criador de um blog jornalístico precisa gostar da página e querer sempre melhorá-la. Além disso, deve ter consciência que o espaço é um veículo de comunicação, não um diário pessoal de opiniões sobre futebol. Seguindo isso, a chance de o blog ter qualidade cresce bastante.

Ubiratan Leal

Obs.: sim, o Balípodo (que não se considera um blog, mas é) sabe que o tom professoral do texto soou meio arrogante. Não foi essa a intenção. Se você tem algo a acrescentar ou quer contar algum caso específico, use o espaço de comentários

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