Na década de 1970, usar barba e bigode era sinal de livre pensamento, de rebeldia, de ideais de esquerda ou de ser contra o sistema. Ou algumas dessas coisas juntas. Por isso, muita gente ficava incomodada quando via pessoas barbudas expressando opiniões sem pudor. Assim era o meia Afonsinho e, por isso, sua carreira ficou marcada.
Ele começou a carreira no XV de Jaú em 1962 e se transferiu ao Botafogo três anos depois. Ficou em General Severiano por três anos, até que o técnico Zagallo e a diretoria do clube baixaram uma norma de que os jogadores deveriam cortar a barba. Afonsinho se negou e foi afastado por indisciplina. O pior é que ainda havia Lei do Passe e o meia não poderia mudar de time sem permissão do Alvinegro. Acabou emprestado ao Olaria, mas voltou a General Severiano.
Afonsinho acabou brigando na Justiça por seu direito de mudar de emprego. Ganhou e, desde então, se tornou um dos ícones da luta pelo fim do passe e símbolo de jogador polêmico, bad boy ou rebelde. Depois do Botafogo, atuou por Olaria (mais duas passagens), Santos, Flamengo, América-MG, XV de Jaú, Madureira e Fluminense. Depois de encerrar a carreira, passou a trabalhar em projetos sociais.
Pela qualidade técnica, Afonsinho era considerado um jogador com possibilidade de ter chances com a seleção brasileira. Com um histórico de rebeldia desses, isso nunca ocorreu. De qualquer modo, um sujeito que fez tudo isso para defender o direito de se expressar (no caso, usando barba) merece todo o respeito.
Ubiratan Leal
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