O cabelinho tingido chama bastante a atenção. O fato de ser um dos grandes artilheiros da historia recente do Boca Juniors, também. Mas ninguém consegue tirar de Martín Palermo o título de notório perdedor de pênaltis. E é até admirável como ele continua tentando, mesmo com um histórico nada invejável de cobranças desperdiçadas.
Formado do Estudiantes, Palermo estreou no Boca em 3 de setembro de 1997 em um esquecido jogo da finada Supercopa da Libertadores contra o Cruzeiro. Não demorou para ganhar destaque. Fez o gol da vitória em seu primeiro superclásico contra o River Plate. Em 1998, foi artilheiro do Apertura, com 20 gols em 19 jogos. No Clausura do ano seguinte, foi novamente o goleador do campeonato.
Tal desempenho lhe valeu a convocação para a seleção argentina, onde começou sua fama de bater mal os pênaltis. Na primeira fase da Copa América de 1999, a Argentina perdeu de 3 a 0 para a Colômbia. O placar poderia ser bem diferente se Palermo não tivesse desperdiçado três penais. Tudo começou aos seis minutos do primeiro tempo, quando Palermo desperdiçou um pênalti, chutando na trave. Ainda perderia outros dois ao longo da partida, ficando para sempre marcado como “aquele que perdeu três pênaltis num só jogo”; a informação é repetida até hoje à exaustão pela imprensa brasileira toda vez que o Boca enfrenta uma equipe patropi.
Em 2000, Palermo fez dois gols na vitória do Boca Juniors sobre o Real Madrid no Mundial de Clubes e chamou a atenção do mercado europeu. Foi vendido ao Villarreal, que já começava a montar times com base em jogadores sul-americanos.
Na Espanha, a passagem de Palermo foi discreta, mas marcada por mais um lance inusitado. Em um jogo pela Copa do Rei contra o Levante, Palerm marcou um gol e foi comemorar com a torcida. Os aficionados do Villarreal se amontoaram para abraçar o atacante e o peso deles fez a mureta ceder, caindo sobre o argentino, que fraturou a perna no acidente.
Palermo voltou ao Boca Juniors. Mais experiente, passou a participar mais da armação das jogadas ao lado do meia de plantão. Na final do Apertura 2006, fez um gol contra seu Estudiantes e se negou a comemorar. Neste ano, foi figura importante na campanha vitoriosa na Libertadores. Mas não deixou de alimentar o estereótipo da imprensa brasileira e, na decisão contra o Grêmio, perdeu mais um pênalti.
Diogo Terra (colaboração especial) e Ubiratan Leal
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