Era o verão europeu de 1993 e o futebol italiano estava no auge de sua capacidade de investimento. Ainda assim, foi um grande choque quando foram anunciados os valores extra-oficiais da contratação do meia-atacante Gianluigi Lentini pelo Milan: US$ 53 milhões. O jogador, que estava no Torino e tinha 24 anos, se tornaria, assim, o mais caro da história com grande folga.
O valor foi tão alto que despertou a desconfiança das autoridades italianas, que suspeitavam de fraude contábil ou lavagem de dinheiro. No final das contas, os US$ 53 milhões não foram confirmados, mas o jogador acabou sofrendo com a necessidade de se mostrar à altura de tanto dinheiro. O que ficou particularmente difícil depois do trauma de um acidente automobilístico que quase o matou.
Lentini ficou quatro temporadas no Milan e nunca se consolidou como titular. Ficou um ano na Atalanta e voltou ao Torino, onde passou mais quatro temporadas. Sua trajetória era claramente decadente e o jogador já era marcado como um talento que não se confirmou.
Em 2001, com 32 anos, Lentini foi para o Cosenza. Em 2003, o clube foi rebaixado da Serie B, o que provocou grave crise financeira e falência. Os calabreses foram obrigados a recomeçar da Serie D (amadora) e Lentini ficou.
Depois de uma temporada na Serie D, o meia-atacante se transferiu para o Canelli, da Eccelenza (sexta divisão), onde já estava Diego Fuser. O salário era de € 2,5 mil mensais, nada parecido com a fortuna que um jogador de Milan e seleção italiana chegou a receber. Lentini ficou uma temporada no Piemonte e, com 36 anos, encerrou a carreira.
Ubiratan Leal
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