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21/08/07

O mundo não é uma bola...

Depois da Libertadores, o Boca sofre

Argentinos Juniors x Boca 2007.jpg

Raras vezes um time conquistou a Copa Libertadores com tamanha autoridade como o Boca Juniors em 2007. Fazer 5 x 0 no Grêmio no placar somado é uma marca admirável, que poderia dar sinais de que o campeão sul-americano chega a Yokohama com totais condições de vencer o poderoso Milan. Poderoso e disposto a ganhar o Mundial. No entanto, o futebol em La Bombonera não inspira mais tanta confiança e até o Pachuca pode ser visto como grande ameaça à vaga na decisão.

A saída de Riquelme ao final da Libertadores teve um impacto muito maior do que muitos imaginavam. Sem ele, os defeitos da equipe ficaram expostos e este início de temporada – os argentinos adotam o calendário europeu – tem por função permitir que um novo sistema de jogo seja montado.

Riquelme era o ponto de equilíbrio entre meio-campo e ataque. Sua capacidade de segurar a bola, ditar o ritmo do jogo e acionar seus companheiros permitia que o meia Néri Cardozo e os atacantes Palacio e Palermo tivessem mais tranqüilidade para encontrar espaço em cada jogada ofensiva. Era um futebol mais fluido, em que os passes eram trocados com naturalidade e inteligência.

Acabou a Libertadores, acabou esse Boca Juniors. O clube fez empréstimo de quatro meses com o Villarreal e foi obrigado a devolver Riquelme. O argentino está fora dos planos do clube espanhol, mas ainda não acertou com ninguém e está encostado no Submarino Amarillo. A diretoria boquense ainda alimenta os sonhos da torcida dizendo que está em negociação. Se der certo, o Boca volta a ser candidato forte no Mundial. Se não der (o que é o mais provável), o técnico Miguel Ángel Russo continuará na busca por um novo homem de referência na armação e um sistema de jogo.

Para piorar a situação do treinador, o Boca ainda está com problemas na defesa. De uma vez, o elenco perdeu o zagueiro Daniel Díaz e o lateral-esquerdo Clemente Rodríguez. Não são gênios, mas ambos fazem parte da seleção argentina e suas ausências não podem ser ignoradas. Ainda não há substituto à altura e os homens de marcação no meio-campo – Battaglia, Banega e Dátolo – ficam sobrecarregados. A campanha discreta no início do Campeonato Argentino (quatro pontos em três jogos) reflete essa instabilidade xeneize.

Por isso, o duelo com o São Paulo na Copa Sul-Americana pode ser importante. O clube pode ganhar confiança no cenário internacional e se soltar mesmo sem Riquelme. No entanto, o clima é de sacrificar a competição continental e o próprio Apertura se esse for o preço para estar em forma apenas em dezembro. Até lá, o Boca Juniors pode ser uma incógnita.

Ubiratan Leal

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