Morumbi lotado. Era a final do Campeonato Paulista de 1988 e o Guarani era ligeiramente favorito diante do Corinthians. No último minuto do primeiro tempo, a bola vem para Neto na meia-lua. O jogador vira de costas para o gol e, em uma bicicleta perfeita, acerta o canto direito de Ronaldo. Guarani 1 x 0 e o meia vai para as câmeras gritando “eu sou foda”.
Petulância à parte, há uma saudável honestidade na atitude. Não que Neto tenha sido necessariamente “foda”, mas pelo fato de ele falar o que achava de si mesmo. Esse foi só um exemplo, porque o ex-meia de Guarani, Bangu, São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Millonarios, Matsubara, Atlético-MG, Santos, Araçatuba, Etti Jundiaí e Deportivo ItalChacao-VEN nunca se cansou de fazer isso.
Aliás, ele chegou a inverter a ação, fazendo um gol de bicicleta pelo Corinthians contra o Guarani e arrancando a camisa na comemoração para protestar contra as vaias da torcida alvinegra. Foi expulso. Comportamento como esse sempre limitaram suas oportunidades na Seleção, mesmo quando era considerado o melhor jogador em atividade no Brasil, em 1990.
Depois de encerrar a carreira. José Ferreira Neto foi diretor de futebol do Guarani em um momento relativamente bom do clube, com revelação de alguns jogadores. Saiu por brigar com a diretoria. Virou comentarista de futebol. E continua falando o que pensa, sem esconder o sotaque caipira (muitas vezes parece forçá-lo para “fazer tipo”). Muita gente não gosta de seu trabalho e apresentam argumentos válidos, como deslize em algumas informações. No entanto, uma coisa é inegável: sendo certo ou errado, ele fala o que pensa, sem se preocupar em parecer ser o que não é.
Ubiratan Leal
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