O ditado já batido diz que o Brasil tem 160 milhões (número atualizado a cada censo) de técnicos. Afinal, todo mundo se daria o direito de palpitar sobre futebol. Não é verdade, mas assumamos que seja. Se for assim, o que dizer de um cara que reunia eloqüência, sagacidade, ironia e brilhantismo em suas observações a ponto de não ser apenas mais um metido a dar opiniões, ms o cara que construiu o ideal do futebol brasileiro?
Toda a imagem que o futebol brasileiro tem de si mesmo, com ginga, habilidade, técnica e malandragem, foi Nélson Rodrigues que criou. Mais da metade dos chavões que hoje soam batidos, mas que ainda vivem como mantras no imaginário do torcedor, foi ele que escreveu pela primeira vez em algum artigo de jornal.
Não é só no torcedor que Nélson Rodrigues impôs seu jeito original de ser e pensar. Até hoje, a imprensa esportiva brasileira, sobretudo a carioca, ainda vê seus textos e crônicas como ideal para a cobertura de futebol. Como ícone máximo da captação da beleza subjetiva do jogo, coisa que ele fazia mesmo sem ver o jogo (quando já tinha problemas de visão e apelava para a ajuda de colegas para descrever os lances).
Com tudo isso, não dá para deixar de considerar Nélson Rodrigues um figuraça também no futebol. Tanto quanto na literatura.
Ubiratan Leal
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