A notícia caiu como uma bomba. O Botafogo ainda comemorava a vitória sobre o Atlético-PR em Brasília quando sua diretoria informou que Dodô havia sido pego no exame antidoping. Para ser mais detalhista: que a primeira prova após os 4 x 0 sobre o Vasco havia dado resultado positivo e que o clube esperava a contraprova. Bem, a contraprova ratificou o resultado do primeiro teste e o jogador está afastado até julgamento. Enquanto isso, todos tomam a iniciativa de antecipar o julgamento.
Quase sempre, as opiniões tomam como base o caráter ou profissionalismo do atleta em questão. No caso, se Dodô seria desonesto ou displicente o suficiente para tomar alguma substância proibida. Como o atacante botafoguense é bem visto pela maior parte da imprensa, o veredicto predominante é o de inocente. Se fosse simples assim...
A existência ou não de doping é uma questão puramente científica e isso nunca deve ficar em segundo plano. Se os exames comprovarem que havia uma substância ilegal na urina de um jogador, mesmo sendo Dodô, houve a irregularidade. Ou pelo menos, a informação dada até aquele momento é de que há o doping. Por mais honesto que o atleta seja, ele sempre estará passível disso. A lista de substâncias proibidas é extensa e qualquer deslize pode ser fatal.
Isso não significa que ele deva ser punido por isso. Afinal, na hora do julgamento, o caso deixa de se basear apenas no resultado dos exames. É hora, por exemplo, de descobrir se houve erro médico, se os testes falharam, se a urina foi contaminada indevidamente ou se o jogador tomou um remédio supostamente inocente. Ainda assim, a avaliação continua sendo científica. Se o jogador em questão é honesto ou não é questão que pode, no máximo, atenuar uma eventual pena. Mas não absolver ou condenar um atleta.
No momento, as informações disponíveis dão conta que Dodô tinha substâncias ilegais em seu corpo. Cabe ao Botafogo e ao atacante investigarem a origem disso e provarem – cientificamente – que houve um equívoco aceitável, que alguém errou no processo e o atleta acabou penalizado.
Por enquanto, o clube faz certo ao tentar descobrir algum problema nos complexos vitamínicos dados a seus atletas. Talvez nada seja encontrado, mas é uma atitude muito mais coerente do que simplesmente apelar para a fama de bom-moço de Dodô. O jogador pode não ter culpa alguma, mas, depois de o exame dar positivo, é preciso provar inocência. Não apenas alegar.
Ubiratan Leal
Imagem: Paulo Sérgio / ProFotto