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26/07/07

O mundo não é uma bola...

Copa Sul-Americana 2007

Conmebol_logo Sul-Americana.jpg

A Copa Sul-Americana é uma espécie de pária no calendário do futebol brasileiro. Ninguém por aqui parece dar muita importância para a “Copa da Uefa da América do Sul” (clichê que será repetido infinitas vezes) e disputá-la é mais um castigo do que um privilégio. Os estrangeiros que participam do torneio são vistos como “restos” e ninguém nem se preocupa em analisar a tabela.

No entanto, esse discurso sempre muda quando algum clube brasileiro começa a ir longe no torneio. Aí, o título vira prioridade. Por isso, é importante acompanhar o que acontece na segunda competição de clubes da Conmebol. Até porque é a rara oportunidade de medir forças com time dos Estados Unidos e, mais importante, é, em vários casos, uma prévia do que se poderá ver na Libertadores 2008.

Veja um pequeno resumo de como os times chegam para a Copa Sul-Americana 2007. Só para lembrar o regulamento: de cada grupo sai um time para as oitavas-de-final. Da preliminar Brasil saem outros quatro e da preliminar Argentina, mais dois. A essas 10 equipes se juntam seis times pré-classificados. Todas as chaves são em mata-mata.

PRELIMINAR BRASIL

Atletico-PR_logo p.jpgBotafogo_logo p.jpgCorinthians_logo p.jpgCruzeiro_logo p.jpg

Atlético-PR
Sua diretoria nunca escondeu que expandir a marca do clube para o exterior é uma de suas ambições. Assim, a Copa Sul-Americana deve ter um bom espaço no planejamento do clube, como ocorreu em 2006. Considerando que o Furacão tem um time de bom potencial, o clube fica entre os brasileiros com mais chance de sucesso na competição. O problema é que, se o time não se recuperar logo no Brasileirão, pode ficar em uma incômoda luta contra o rebaixamento e tirar as atenções do torneio continental.

Botafogo
O Botafogo tem dois objetivos claros para o segundo semestre: fazer a melhor campanha possível no Brasileirão e, com isso, conquistar uma vaga na Libertadores (ou até o título). A Copa Sul-Americana não é uma prioridade. Ela só será levada em consideração se, em algum momento, o Alvinegro tiver convicção de que está na Libertadores 2008 e que a Sul-Americana pode servir de teste. Dificilmente isso ocorrerá, o que furtará os sul-americanos de verem o futebol insinuante e ofensivo (apesar de fraco defensivamente) do time de Cuca.

Corinthians
Dos brasileiros, é o que está em situação mais delicada para a Sul-Americana. O time ainda está em formação e sofre de crônica falta de confiança, que se soma à bagunça gerencial para colocar o Alvinegro na parte de baixo da tabela do Brasileirão. Considerando que levar a sério demais a Sul-Americana pode aflorar o trauma de competições internacionais do clube, a idéia deve ser fazer o suficiente para sair rápido e sem dor.

Cruzeiro
O Cruzeiro é um clube que sempre procura vender-se internacionalmente. Faz parte da relação de rivalidade com o Atlético-MG e ajuda a valorizar jogadores no mercado europeu. Como Dorival Júnior ajeitou o time, com Guilherme se revelando um atacante de grande talento e Fábio voltando ao gol com bom desempenho, até dá para imaginar a Raposa lutando pelo título.

Figueirense_logo p.jpgGoias_logo p.jpgSao Paulo_logo p.jpgVasco_logo p.jpg

Figueirense
O Figueirense tem um time bastante discreto, que não chama a atenção da mídia, mas faz uma campanha decente e estável. Mário Sérgio é um técnico criativo, apesar de exagerar nas modificações táticas, e encontrou um padrão de jogo. O problema é que isso está longe de ser suficiente para uma competição internacional. Os catarinenses não contam com elenco tão profundo para arcar com duas competições e a falta de experiência internacional pode se fazer sentir.

Goiás
A participação na Libertadores 2006 pode deixar lições importantes para o Goiás. O impacto de disputar uma competição internacional será amortecido, bem como o susto de eventualmente encarar a torcida adversária como visitante. Em campo, Paulo Baier e Fabrício Carvalho dão uma interessante dose de experiência, mas a saída de Welliton tira a capacidade de improviso e talento do ataque.

São Paulo
Em tese, é o favorito brasileiro ao título. Mas isso depende muito da importância que a competição terá na agenda são-paulina. Se usar o time principal, sobra organização tática, experiência sul-americana e autoconfiança para encarar a disputa. Se entrar com o time reserva, como já fez em edições anteriores, o Tricolor pode cair antes mesmo das oitavas-de-final.

Vasco
Os vascaínos têm um jogo muito interessante. O ataque é bastante rápido e insinuante, aproveitando-se muito bem de quando tem o contra-ataque à disposição. No entanto, a defesa é dada a falhas e o desempenho geral cai muito fora de São Januário. Considerando que a equipe ainda é inexperiente, não dá para colocar o Vasco entre os candidatos ao título. Mas um brilhareco é possível.

PRELIMINAR ARGENTINA

Arsenal-ARG_logo p.jpgEstudiantes_logo p.jpgLanus_logo p.jpgSan Lorenzo_logo p.jpg

Arsenal
Grande surpresa da última temporada argentina. O time é modesto e não conta com estrelas, mas tirou proveito da má fase de clube mais tradicionais, como Independiente, Racing, Newell’s Old Boys e Vélez Sársfield, para abocanhar uma vaga na Libertadores 2008 (e, por conseqüência, na Sul-Americana 2007). Apesar do sucesso recente, não se espera nada além de muita luta do time de Sarandi.

Estudiantes
Se levar a Sul-Americana a sério, é um dos candidatos ao título. O Estudiantes perdeu Pavone, seu artilheiro, e José Sosa, o meia de armação, mas ainda tem a liderança de Verón e um elenco coeso e lutador. O fato de a cultura do clube estar muito ligada à competições internacionais também pode ajudar, como já ocorreu na Libertadores 2006.

Lanús
Equipe limitada tecnicamente, que conta com a pressão da torcida em seu estádio como uma das poucas armas diante dos adversários. Dependendo da tabela, pode ter alguns bons momentos, mas deve cair assim que encontrar uma equipe minimamente forte e que leve a Sul-Americana a sério.

San Lorenzo
Na Argentina, o sistema de dois campeonatos por ano permite que um clube que passe por uma boa fase momentânea consiga o título. O San Lorenzo tem de provar que sua conquista no Clausura 2007 não foi acidente, mas não será fácil. O time montado por Ramón Díaz mostrou-se competitivo no primeiro semestre, mas não conta com valores individuais ou alguma novidade coletiva que chame a atenção. Pode ir longe na Sul-Americana, mas seria na base da empolgação.

GRUPO A (CHILE E BOLÍVIA)

Audax Italiano_logo p.jpg Colo-Colo_logo p.jpg Jorge Wilstermann_logo p.jpg Real Potosi_logo p.jpg

Audax Italiano
Até fez uma campanha decente na Libertadores, mas continua com a receita de antes: elenco barato e jovem para surpreender. O estilo de jogo é ofensivo e pode chamar a atenção, mas não se espere do Audax Italiano um potencial para surpreender forças continentais.

Colo-Colo
Perdeu o atacante Suazo, o que deve ter um impacto na produção ofensiva do Cacique. Ainda assim, o Colo-Colo merece respeito, pois conseguiu manter o técnico argentino Cláudio Borghi e manteve a base vice-campeã da Sul-Americana em 2006. Aliás, o torneio é prioridade para o clube, que já tem o tricampeonato nacional e quer ficar com o título que escapou em casa ano passado. Time para se observar com cuidado.

Jorge Wilstermann
A altitude de Cochabamba é uma aliada, mas deve ficar por aí as armas do Jorge Wilstermann. O time foi campeão boliviano em 2006, mas perdeu sua força no início deste ano e não reúne condições de provocar grandes sustos. Aliás, dificilmente passará do grupo com chilenos e o compatriota do Real Potosí.

Real Potosí
Certamente é a melhor aposta boliviana no momento. O time lilás tem um ataque poderoso para os padrões locais, sobretudo pela presença do meia-atacante Darwin Peña, e conta com os quase 4 mil m de altitude de Potosi para tirar o fôlego dos adversários (Flamengo e Paraná que o digam). Pode ser o suficiente para surpreender no início, mas ainda é pouco para repetir o vice-campeonato do Bolívar em 2004, melhor desempenho de um clube da Bolívia em competição internacional de primeiro nível.

GRUPO B (EQUADOR E VENEZUELA)

Carabobo_logo p.jpg El Nacional_logo p.jpg Olmedo_logo p.jpg Zamora_logo p.jpg

Carabobo
Até no cenário venezuelano é um time secundário. O Carabobo pode contar com a fraqueza do grupo para chegar às oitavas, mas mesmo isso seria uma surpresa. Talvez conte com uma torcida à qual não está acostumado, caso a empolgação da Copa América tenha ficado viva na Venezuela.

El Nacional
Um dos favoritos da chave. Além de ter a altitude de Quito a favor, tem um elenco razoavelmente forte, com o bom lateral-direito Omar de Jesús e o já conhecido atacante Kaviedes. A experiência internacional pode ajudar, apesar de a campanha na Libertadoers 2007 ter sido deplorável (um ponto em seis partidas).

Olmedo
Candidato a surpresa do grupo. O time de Riobamba tem crescido nos últimos anos, com investimentos certeiros e pouco barulho. No primeiro semestre, ganhou a primeira etapa do Equatoriano (o equivalente ao primeiro turno) com uma segurança pouco comum para um clube sem tradição. Com a altitude a favor, pode ser um adversário complicado.

Zamora
Há dois anos, o clube estava na segunda divisão venezuelana. Hoje, está na Copa Sul-Americana. Isso deixa evidente como se trata de um time que ainda vem ganhando espaço no cenário nacional. Muito pouco para tentar algo no âmbito internacional. Aliás, mesmo na Venezuela ainda é precipitado dizer que é uma nova força, pois a equipe não mostrou nada de excepcional na temporada passada e se aproveitou da falta de constância dos principais concorrentes.

GRUPO C (COLÔMBIA E PERU)

Atletico Nacional_logo p.jpg Coronel Bolognesi_logo p.jpg Millonarios_logo p.jpg Universitario_logo p.jpg

Atlético Nacional
Eis um time que pode surpreender os favoritos. O elenco é bastante talentoso e mistura jovens de talento com nomes experientes. Além disso, vê a Copa Sul-Americana como primeiro passo de se relançar internacionalmente, já pensando na Libertadores 2008 (o time de Medellín tem vaga assegurada pelo título do Apertura 2007).

Coronel Bolognesi
Seria uma gigantesca zebra se o Bolo fizesse uma boa campanha na Sul-Americana. Os tacneños se desmontaram no final de 2006 e tiveram um péssimo primeiro semestre, com a última posição no Apertura. Com isso, terão de se preocupar em fazer uma boa campanha no Clausura para não serem rebaixados. A Sul-Americana não é prioridade e deve ser rapidamente esquecida.

Millonarios
Corre por fora na disputa contra o Atlético Nacional. Tem um elenco razoável, mas não se reforçou devidamente para o segundo semestre e pode sentir falta de reservas à altura para a série de jogos decisivos.

Universitario
Diante de adversários fortes como os colombianos, dificilmente o Universitário conseguiria chegar às oitavas-de-final. Mas o cenário, para a Sul-Americana, é particularmente pessimista se considerar que o clube não esconde que a prioridade é o Clausura peruano, caminho para um título nacional que não vem desde 2000.

GRUPO D (URUGUAI E PARAGUAI)

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Danubio
Seria um bom candidato a surpresa se não tivesse vendido boa parte dos jogadores que levaram os franjeados ao título uruguaio da última temporada. Com um time em fase de reconstrução, tornou-se uma incógnita.

Defensor Sporting
O bom desempenho na Libertadores (só caiu nas quartas-de-final, nos pênaltis, para o Grêmio) dá uma boa dica de como o time violeta pode ser competitivo internacionalmente. A perda do zagueiro Ithurralde será sentida, mas a estratégia de se defender bem e buscar os contra-ataques deve permanecer.

Libertad
Outra equipe que deve merecer atenção. Com investimento pesado em contratações, os gumarelos têm montado equipes fortes e experientes. Na Libertadores, o time alvinegro já fez boa campanha nos dois últimos anos e a expectativa é que repita o desempenho na Sul-Americana.

Tacuary
Tudo indica que deve ser mais um figurante na competição. A equipe não tem investimento e vive basicamente dos jovens que consegue formar e em jogadores rejeitados por outros clubes. Nos últimos anos, até que os bons resultados vieram, mas está longe de ser o suficiente para um torneio continental.

JÁ CLASSIFICADOS ÀS OITAVAS

America-MEX_logo p.jpg Boca Juniors_logo p.jpg Chivas_logo p.jpg DC United_logo p.jpg Pachuca_logo p.jpg River Plate_logo p.jpg

América-MEX
Se levar a competição a sério, é favorito ao título. No entanto, a experiência na Libertadores já mostra que não deverá ser assim caso o clube tenha de escolher entre o Apertura mexicano e a Sul-Americana. Uma pena, pois o time tem jogadores de talento como os paraguaios Cabañas e Cuevas e o bom goleiro Ochoa. Nem a saída de Blanco deve abalar tanto o time.

Boca Juniors
O título da Libertadores deixou um sinal ótimo e outro preocupantes para a torcida boquense: o clube reencontrou sua confiança com a chegada do técnico Miguel Ángel Russo, mas ficou muito dependente do talento de Riquelme. Como o meia ainda não acertou com nenhum clube europeu (o Villarreal disse que quer negociá-lo), ainda há uma pequena esperança de prolongar o empréstimo até o Mundial de Clubes. Se isso ocorrer, o Boca Juniors se torna favorito destacado à Sul-Americana. Caso contrário, é “apenas” mais um dos concorrentes de peso.

Chivas de Guadalajara
Dinheiro, jogadores de talento e organização. As Chivas de Guadalajara têm bons argumentos para se colocar entre os candidatos ao título. Falta ainda confiança nos momentos decisivos, mas um time com atacantes como Omar Bravo e Bautista não deve ser menosprezado. Desde que trate a Sul-Americana como prioridade em seu calendário, o que ainda é incerto.

DC United
As participações dos times da MLS no cenário internacional ainda são escassas e normalmente limitadas a confrontos com mexicanos. Assim, é difícil medir exatamente o potencial do DC United. E talvez continue assim, pois a equipe, que tem bom padrão de jogo e marcação eficiente, não deve passar pelo confronto já marcado com as Chivas nas oitavas-de-final.

Pachuca
Tem sido a equipe mais consistente do México no último ano. O padrão de jogo é bastante definido, com intensa troca de passes até encontrar algum buraco na defesa adversária. O fato de ser o atual campeão da Sul-Americana já mostra como a estratégia é válida. No entanto, a prioridade dos Tuzos no segundo semestre é o Mundial de Clubes. Assim, a Sul-Americana só será importante na medida que servir de preparação para o torneio do Japão. Quando a competição continental começar a atrapalhar, rapidamente será descartada.

River Plate
O River Plate continua se iludindo. O clube criou uma estrutura interessante para montar equipes competitivas, mas depende muito de vender um jovem para um grande centro europeu para financiar o resto do time. Como as categorias de base não têm sido tão generosas, os millonarios têm vivido de apostas e jogadores de eficiência duvidosa. Não deve ser diferente na Sul-Americana. Chegar até às semifinais é possível dependendo da tabela, mas o time de Núñez está um nível abaixo de Boca Juniors, América-MEX, São Paulo e Pachuca.

Ubiratan Leal

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