http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Flamengo precisa recuperar a concentração | Página inicial | Trombetas de 30 de julho »

30/07/07

Histórias

A maior competição do mundo

Franca_Copa da Franca.jpg

“O sol nunca se põe no Império Britânico.” Essa frase durante séculos foi usada como símbolo da grandeza e onipresença do Reino Unido, que tinha territórios em todos os cantos do mundo. Assim, em algum lugar sempre era dia. É mais ou menos isso o que ocorre com a Copa da França, que reúne tudo o que os franceses já conseguiram colocar dentro de sua área de dominação política, criando um torneio que se espalha por quatro continentes e que não tem concorrentes em relação a número de participantes.

O motivo de tamanha grandeza vem desde a origem da competição. Em 1917, o secretário geral da CFI (Comitê Francês Interfederal, antecessor da federação francesa) Henri Delaunay decidiu criar um torneio eliminatório reunindo todas as equipes da França. O modelo é semelhante ao da FA Cup (Copa da Inglaterra), que mistura equipes amadoras e profissionais de várias divisões diferentes.

A diferença entre a copa francesa e a inglesa é o quão a sério foi levado o termo “todas as equipes”. Os gauleses interpretaram a expressão às últimas conseqüências e incluíram no torneio qualquer equipe que venha de um território sob domínio francês. E aí vale Martinica, Guiana Francesa e Guadalupe nas Américas, Reunião, Argélia e Marrocos (essas duas últimas não fazem mais parte da França e já deixaram a competição) na África e até Nova Caledônia e Taiti na Oceania.

Contando com equipes de territórios e departamentos ultramarinos, além de colônias em outros continentes, a Copa da França cresceu. Em 1917, na primeira edição, foram 48 participantes. Dois anos depois e o número mais do que dobrara. Em 1948, já eram mais de mil. Achou muito? Na última temporada, a Copa da França contou com exatos 6.577 clubes. Número que torna esse o maior torneio de futebol do mundo. Como comparação, a FA Cup é considerada grande, mas contará com "apenas" 731 clubes na temporada 2007-08.

Para tornar a competição exeqüível em uma temporada, foi necessário criar um sistema que não onerasse demais as equipes importantes e limpasse rapidamente os times mais fracos. A solução foi introduzir as equipes aos poucos, de acordo com o nível técnico.

Aalisando o modo como é feito, percebe-se como o torneio recebe mais time do que se pode imaginar. Nas duas primeiras fases, jogam apenas equipes amadoras que disputam divisões regionais (todas com divisões internas) e distritais (que chegam a equivaler à 18ª divisão nacional). Na terceira fase, entram as 128 equipes da CFA 2 (quinta divisão). Na quarta etapa, são introduzidos os 72 clubes da CFA (quarta divisão). Mais uma fase se passa e aparecem as 20 equipes do National (terceira divisão). Na sétima fase entram os 20 times da Ligue 2 (Segundona) e os campeões dos torneios de departamentos e territórios ultramarinos. Apenas na nona etapa é que começam os jogos com os 20 clubes da primeira divisão. Detalhe: as oitavas-de-final equivalem à 11ª fase da Copa da França.

Para caber tanto jogo no calendário (lembrando que a França ainda possui uma Copa da Liga), as eliminatórias são apenas em jogos de ida. O time que tiver em pior divisão sempre manda o duelo em casa, medida que visa aumentar o equilíbrio da competição. De fato, isso ocorre e não são raras enormes surpresas na Copa da França. Em 1957, o Stade de Reims, então vice-campeão da Copa dos Campeões, foi desclassificado pelo El Biar, da Argélia. Em 1968, o amador Quevilly bateu o Lyon antes de cair nas semifinais. Em 2000, o Calais, da quarta divisão, só caiu na final, diante do Nantes (2 x 1). Na última temporada, o fantasma foi o Montceau Bourgogne, da quarta divisão. Os rouges passaram por Bordeaux e Lens antes de soçobrar nas semifinais. Ainda assim, o Sochaux precisou da prorrogação para vencer.

Os grandes clubes sempre reclamaram da fórmula da Copa da França, pois essa filosofia incha a competição e faz que as equipes de elite façam partidas contra adversários anônimos. Mas a FFF mantém-se firme nos princípios iniciais de Delaunay (que é mais conhecido por criar e dar nome ao troféu da Eurocopa).

O sucesso constante de equipes amadoras - ainda que nenhuma tenha conquistado um título - justifica a manutenção desse modelo. Afinal, a Copa da França pode ser inchada, mas é inegável que tem um charme próprio. Seu tamanho, a união de equipes de continentes diferentes e a possibilidade real de ver grandes caindo diante de equipes minúsculas, compostas por trabalhadores comuns que jogam futebol nos fins-de-semana, dão vida ao torneio de mais de 6 mil participantes. A competição em que o sol nunca se põe.

Nantes x Calais 2000.jpg
Jogador do Calais chora após perder a final da Copa da França de 2000 para o Nantes: quase deu para o time da quarta divisão

Ubiratan Leal

Textos relacionados
A copa que une três oceanos
O legado francês no futebol

COMENTE AQUI

Deixe sua opinião (0)

Nedstat Basic - Free web site statistics