Depois de uma temporada patética na Serie A, com a Internazionale conquistando o título com constrangedora facilidade, a expectativa é que o Campeonato Italiano tenha um futuro próximo mais alegre. E um dos motivos para isso é o retorno da Juventus, campeã da Segundona. De fato, ter o time mais popular do calcio ajudará muito a animar o torneio, mas todos devem ter claro na cabeça que nem os bianconeri imaginam que o objetivo imediato seja a luta pelo título.
O futebol italiano, apesar de sua bagunça, segue um mínimo de lógica empresarial capitalista. Mesmo uma gigante como a Juventus não tem como escapar de um fato: ficar um ano na segunda divisão e ver sua imagem institucional ser manchada emagreceu bastante o caixa do clube. Assim, os bianconeri ainda estão se redimensionando e spo podem ter perspectivas realistas para 2008-09. Na melhor das hipóteses.
Os piemonteses mantiveram uma imagem de potência nacional ao segurar jogadores importantes como Buffon, Nedved, Trezeguet, Del Piero e Camoranesi. No entanto, a perda de Vieira, Zambrotta, Ibrahimovic, Thuram, Cannavaro e Emerson não são supridas rapidamente. A Juventus que conquistou a Segundona italiana com imensa – e previsível – facilidade seria um time “apenas” médio-forte na elite. Afinal, não havia mais um elenco sólido para suportar o ritmo de Internazionale, Roma e Milan. Ainda mais se a Juventus disputasse a Liga dos Campeões.
Para o retorno à elite, a necessidade de reformulação é inegável. Os melhores jogadores bianconeri já passaram ou estão perto dos 30 anos e, no caso de Trezeguet, há o agravante de o atacante francês não estar muito disposto a seguir em Piemonte. Desse modo, é urgente a necessidade de reconstruir o elenco, sobretudo para que o time tenha fôlego (reservas à altura) para toda a temporada.
As contratações até agora são interessantes. O defensor Grygera, os meias Almirón, Salihamidzic, Tiago, Blasi e Tacchinardi e o atacante Iaquinta podem recolocar a Juve no grupo de ponta. Mas claramente não está no mesmo nível de Internazionale e, principalmente, Milan. Até porque é uma equipe nova que surge com as camisas alvinegras.
Um sinal de que as pretensões são discretas foi a escolha do técnico juventino. Com a saída de Deschamps, vários nomes foram cogitados. Três se destacaram: Marcelo Lippi, Fabio Capello e Cláudio Ranieri. Pelo investimento necessário e pela projeção dos treinadores, os dois primeiros só voltariam à Juventus se fosse para lutar pelo título. O último ainda desperta desconfiança de muitos torcedores e tem como costume trabalhar times em longo prazo sem muito estardalhaço. Pois Ranieri foi o eleito.
A Juventus aparece como candidata a disputar uma vaga na Liga dos Campeões e pensar no título da Copa da Itália. É o suficiente para animar o futebol italiano e dar mais dignidade a um campeonato que anda em baixa. Não é recomendável, porém, apostar fichas nos piemonteses como favoritos ao título. Aí, já é uma questão de esperar mais um ano, pelo menos.
Ubiratan Leal
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