Os alemães têm fama de frios e fechados, mas tal estereótipo não deve se aplicar ao futebol. Poucos países do mundo contam com jogadores e dirigentes tão polêmicos, que falam o que pensam à imprensa sem considerarem as eventuais conseqüências. Nesse universo, um dos precursores é Paul Breitner.

O lateral-esquerdo surgiu rapidamente no Bayern de Munique, onde estreou com 19 anos, em 1970. Em apenas dois anos, já tinha mostrado futebol suficiente para ser uma posição na seleção alemã campeã da Eurocopa dois anos depois. Em 1974, Breitner participou da campanha vitoriosa dos germânicos na Copa do Mundo, fazendo, inclusive, um gol na final contra a Holanda.
De jovem de talento a jogador polêmico foi um pulo. Logo depois da Copa, Breitner deixou o Bayern para se juntar ao Real Madrid. Em 1975, o lateral se aposentou da seleção alemã com apenas 24 anos, mas não saiu das manchetes. Ele chamou o técnico Helmut Schön de “senil”, o auxiliar Jupp Derwall de “idiota” e seus colegas de nationalelf de burros.
Em 1981, já se transformara em meia, estava de volta ao Bayern (ainda passou pelo Eintracht Brauchweig) e aceitou reconsiderar sua decisão de não vestir mais a camisa do nationaelf. Mas sua decisão mais chocante foi às vésperas da Copa do Mundo de 1982, quando raspou sua barba (símbolo de contestação de esquerda na época) como parte de uma propaganda de cosméticos. Muitos o consideraram “vendido”, pois Breitner era socialista convicto e sempre deu polêmicas declarações sobre a situação política e social da Alemanha.
Breitner aposentou-se em 1983. Em 1998, o ex-jogador foi convidado a substituir Berti Vogts no comando da seleção alemã. Breitner aceitou, mas mudou de idéia 17 horas depois, sendo o técnico com menor tempo no comando da Alemanha. Hoje, ele é comentarista de TV e participa de campanhas publicitárias do Bayern de Munique.
Ubiratan Leal
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