Quando garotos (e, cada vez mais, garotas) nascem, o clichê básico é o pai colocar um macaquinho de seu time do coração no bebê. Plaquinha na porta do quarto da maternidade, brinquedos, idas ao estádio e outras coisas do tipo também fazem parte do repertório durante alguns anos. É o início do processo de catequização, em que o pai tenta manter que a linhagem futebolístico-familiar. Agora, há, pelo menos em São Paulo, mais uma ferramenta para convencer o pimpolho: livros.
A série “O Dia em que Me Tornei...” conta a história de como o ator Selton Mello e os jornalistas Marcelo Duarte, Mauro Beting e Vladir Lemos se tornaram, pela ordem, são-paulino, corintiano, palmeirense e santista. Cada livro tem uma história curiosa, que remete os autores-personagens a suas infâncias, comentando justamente o contexto em que eles definiram seus times do coração. Mais ou menos o mesmo estágio da vida em que está o público-alvo das publicações.
Não há grandes pretensões literárias nas obras. São textos simples e curtos, com letras grandes para os pais lerem aos filhos rapidamente ou até para a criança que acaba de aprender a ler. Fica evidente como, para quase todo mundo, as histórias são triviais e que pequenas coisas muitas vezes são decisivas para consolidar a preferência clubística.
O ponto positivo é que os livros não se limitam aos contos dos autores-personagens-torcedores. Afinal, seria muito pouco rechear uma publicação apenas com isso (se ainda fossem vários torcedores ilustres de cada time...). Cada obra conta com um resumo histórico dos clubes, com a fundação, títulos, principais ídolos, jogos mais importantes e estatísticas interessantes. Tudo para que o garoto, além de escolher seu time, já conheça um pouco do passado do clube e comece a se tornar de fato um fanático.
Os mais carrancudos podem argumentar que as informações são rasas. É um fato. Mesmo assim, não faria sentido escrever tratados cheio de informações detalhadas para crianças que ainda não estão preparadas a absorver tudo isso. O importante, para a série, é alimentar a fantasia e o deslumbramento.
Em um mercado editorial tão escasso em publicações futebolísticas para crianças, é uma iniciativa original e louvável. Falta estendê-la a outros Estados, mas já é um começo.

Mais informações
Todos os livros da série “O Dia em que Me Tornei...” têm 96 páginas, em formato pequeno (13 x 18 cm), letras grandes e muitas ilustrações. A série foi lançada em 2007.
Ubiratan Leal