Depois de um início aterrador no Brasileirão, o Cruzeiro se recuperou ligeiramente e já conseguiu alguns bons resultados. Assim, saiu da zona de perigo do campeonato e dá sinais de que pode fazer uma campanha digna. No entanto, o torcedor tem de ir com cautela e saber que o time ainda está sujeito à instabilidade. Afinal, a diretoria celeste fez muita coisa errada no começo do ano e ainda deve pagar o preço por isso.
Nada pode simbolizar mais os meses jogados pela janela pelo Cruzeiro como a derrota por 4 x 0 para o Atlético-MG no primeiro jogo da final do Campeonato Mineiro. O técnico Paulo Autuori saiu de campo com um pedido de demissão e declarações a quem quisesse ouvir de que o motivo da derrota humilhante era a falta de comprometimento daquele grupo com o trabalho que se desenvolvia.
Já era maio e tudo o que se realizara até então fora jogado no lixo. O time promissor com Fábio, Gladstone, Gabriel, Ricardinho, Maicossuel, Marcinho, Geovanni e Araújo era uma ficção. Isso ficou evidente também na Copa do Brasil, com eliminação para o Brasiliense após derrota no Mineirão.
Para o Brasileirão, a ordem na casa dos Perrella foi renovar. Dorival Júnior veio por causa da boa campanha no Paulistão pelo São Caetano, mas já realizara trabalho satisfatório no Figueirense. Com perfil discreto e eficiente, parece uma escolha adequada para quem pretende dar mais força à base campeã da Copa São Paulo de juniores em janeiro.
Sob esse aspecto, o Cruzeiro até tem potencial. Jovens como Guilherme, Ramires e Ânderson são bastante promissores. Leandro Domingues teve boa passagem no Vitória e pode ser um jogador muito útil no meio-campo. Com Wagner de volta da Arábia Saudita, o setor de armação ganha mais talento e velocidade.
O problema é dar tempo para esses nomes se transformarem em um time. Júnior tem de trabalhar em médio prazo, na melhor das hipóteses. Até esse projeto se consolidar e ficar claro a todos qual é a real possibilidade desse Cruzeiro no campeonato, os celestes estarão suscetíveis a grandes atuações intercaladas por desempenhos pífios. Será que haverá paciência para tanto na Toca da Raposa?
Ubiratan Leal
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