O Santos é uma bomba perto de explodir. Grupos políticos já se movimentam para as eleições presidenciais do final do ano, o caixa do clube não conta mais com os milhões das vendas de Robinho, Diego e Elano, Vanderlei Luxemburgo não é unanimidade por sua filosofia personalista de trabalho e já se fala em desmanche. Isso tudo quase estourou nos dias que antecederam a final contra o São Caetano, mas o título paulista dará uma sobrevida à tranqüilidade santista. O que não significa que os problemas tenham acabado.
Um sintoma claro disso foi a entrevista coletiva de Vanderlei Luxemburgo logo após a vitória por 2 x 0 sobre o São Caetano. Ao invés de falar de suas estratégia bem sucedida para anular a marcação adversária, o técnico preferiu priorizar um “desabafo pessoal”. Atirou para todo lado, disse ser injustiçado e afirmou contundentemente que nunca se provou nada contra ele (não é verdade). Por que isso? Porque a crise é mais forte do que muita gente imagina. As brigas políticas no Santos são profundas e incomodaram bastante Luxemburgo. A ponto de o treinador colocar isso acima da comemoração pelo título estadual.
A sensação que se tem na Vila Belmiro é que o Santos não tem como sustentar o esquema atual até o final do ano. O clube teve prejuízo de mais de R$ 20 milhões em 2006, o que prova como a política de Marcelo Teixeira, comandada por Vanderlei Luxemburgo, é muito dispendiosa. Técnico caro, comissão técnica cara e muito desperdício de recursos em contratações inúteis e suspeitas (principalmente as ligadas ao Iraty).
A isso se somou a denúncia de que Rodrigo Tiuí e Pedro (falou-se também em Neto) estariam fora do elenco porque simplesmente se negaram a assinar com o mesmo empresário que o treinador. O caso é grave, porque reforça a tese dos que acham que Luxemburgo transforma os clubes em que trabalha em feudos e aproveita seu poder para gastar dinheiro de acordo com suas conveniências, não as da equipe.
Diante do enfraquecimento da posição do técnico, aumentaram a quantidade de partidários da saída de Luxemburgo da Vila Belmiro ao final da Libertadores. O que, aliás, muitos já acham que ocorrerá. Ficou evidente que o sistema do Santos não é sólido e que pode ruir a qualquer momento. As especulações de que Cléber Santana e Zé Roberto sairão continuam fortes e a diretora não parece pronta para repor à altura.
Parece que o planejamento foi feito com data de validade bastante determinada. Quem acompanha os acontecimentos da Vila Belmiro de perto imagina que, caso o clube perca a Libertadores, muita coisa mudará rapidamente na comissão técnica e no elenco. A estrutura construída – CT, centro de recuperação de atletas e hotel para concentração – foi bem-vinda, mas não seria suficiente para impedir a queda.
Tudo isso em um ano em que haverá eleições e Marcelo Teixeira ainda não anunciou se tentará um novo mandato. A agitação política aumenta e a quantidade de conselheiros tentando conquistar força interna cresce na mesma proporção.
No momento, o Santos tem o melhor time do Brasil. Provou isso ao reverter a derrota por 2 x 0 contra o São Caetano no jogo de ida para levar o Paulistão. Mas não pode se cegar para seus próprios problemas, sob pena de ter um segundo semestre bastante atribulado e decepcionante em campo.
Ubiratan Leal
Imagem: Ricardo Saibun/Santos FC