Zé Roberto, talvez o melhor jogador em atividade no Brasil, não pegou na bola direito. Marcos Aurélio, atacante bastante rápido, não conseguiu abrir espaço. Cléber Santana, cobiçado por alguns clubes europeus, não jogou nada. O Santos todo, visto por boa parte da imprensa (principalmente a paulista) como o melhor time do Brasil no momento, foi completamente anulado pelo Grêmio no jogo de ida das semifinais da Copa Libertadores. Méritos de uma marcação comovente de tão abnegada e precisa.
A estratégia gremista foi perfeita. Mano Menezes colocou todo mundo para marcar ou cercar algum santista. Até os atacantes Carlos Eduardo e Tuta e o meia Tcheco – que não estava em sua melhor forma – cercaram a defesa alvinegra. Diego Souza evitava que Maldonado e Rodrigo Souto se aproximassem do setor de armação. Sandro Goiano corria por todo o campo combatendo e, mesmo com alguns exageros na violência, foi um dos melhores da partida.
O Santos até tinha domínio da bola, mas nada conseguia fazer. Sempre que os toques de bola laterais tentavam se transformar em alguma tabela ou lançamento, parava em algum tricolor. Perdido em campo, o Santos errou bobamente em alguns lances e deixou um grêmio que nem é uma potência do ponto de vista técnico cadenciasse o jogo e criasse oportunidades como bem entendesse.
Como trilha sonora, a torcida tricolor cantava o tempo todo como se regesse o ritmo dos jogadores. O Grêmio funcionava organicamente, com as partes se encaixando facilmente em benefício do desempenho coletivo. Uma solidez tática raramente vista no futebol brasileiro.
No segundo tempo, Vanderlei Luxemburgo ainda tentou mudar o cenário com as entradas de Rodrigo Tabata e Pedrinho, que, teoricamente, dariam mais mobilidade e toque de bola ao meio-campo do Santos. Funcionou por um tempo, mas rapidamente o time gaúcho reposicionou sua marcação e tudo voltou ao normal.
O placar final de 2 x 0 foi justo pelo que os times jogaram, mas poderia ter sido maior pela possibilidade que os gremistas tiveram de construir uma vantagem maior. Será difícil repetir um jogo desse, com tanta aplicação tática, na Vila Belmiro, até porque exige muito preparo físico e a regência das arquibancadas não estará lá. Aí está o pouco de chance que o Santos ainda tem, porque, se repetir a excelente atuação do Olímpico, o Grêmio está na final.
FICHA TÉCNICA
Grêmio 2 x 0 Santos
Semifinais da Copa libertadores da América 2007
Local: estádio Olímpico (Porto Alegre)
Público: 46.123 pagantes
Árbitro: Sérgio Pezzota (Argentina)
Grêmio: Saja; Patrício, William, Teco e Lúcio; Gavilán, Sandro Goiano, Tcheco (Ramon) e Diego Souza (Edmílson); Carlos Eduardo e Tuta. T: Mano Menezes
Santos: Fábio Costa; Alessandro (Pedrinho), Adaílton, Ávalos e Kléber; Maldonado, Rodrigo Souto, Cléber Santana (Moraes) e Zé Roberto; Jonas (Rodrigo Tabata) e Marcos Aurélio. T: Vanderlei Luxemburgo
Gols: Tcheco (34/1º) e Carlos Eduardo (36/1º)
Cartões amarelos: Ávalos, Tuta, Patrício, Sandro Goiano, Rodrigo Tabata e Lúcio
Ubiratan Leal