Com o título estadual do Paranavaí, o norte do Paraná voltou a ter um mínimo de destaque na imprensa. Mais, por exemplo, do que quando o Cianorte quase eliminou o Corinthians na Copa do Brasil. Ainda assim, é muito pouco. A região, que hoje vive desses espasmos, já teve um time capaz de encarar o Santos de Pelé e conquistar um campeonato nacional. Era o Grêmio Maringá de Maurício, Ditão, Zé Carlos, Fausto e Cisca; Valtinho e Reginaldo; Iaúca, Rodrigues, Osvaldo e Djalma.
Em 1963 e 64, o Galo foi bicampeão paranaense. Nos anos seguintes, continuava sendo uma potência regional, rivalizando com os principais times de Curitiba na época (Água Verde, Atlético, Britânia, Coritiba e Ferroviário). Em 1968, os maringaenses não tiveram lugar na Taça Roberto Gomes Pedrosa, um precursor do Brasileirão. O representante paranaense foi o Atlético.
O Grêmio Maringá participou do Torneio Centro-Sul, organizado com equipes que ficaram de fora do Robertão daquele ano. Além do Galo, também fizeram parte Almirante Barroso-SC, América-MG, Desportiva-ES, Juventude, Palmeiras-SC, Rio Branco-ES, Santa Cruz-RS, Valeriodoce, Villa Nova-MG, Vitória-ES e União Bandeirante.
Na primeira fase, os maringaenses ficaram no Grupo I da Região Sul. Contra Almirante Barroso, de Itajaí, e União Bandeirante, o Grêmio não teve dificuldades para assegurar a vaga do grupo na decisão regional. Venceu as duas partidas em casa e empatou as duas como visitante para se classificar. Na decisão da Região Sul, o adversário foi o Santa Cruz. Em Santa Cruz do Sul, os gaúchos venceram por 4 x 3. No jogo de volta, o Grêmio Maringá mostrou sua superioridade e fez contundentes 7 x 0.

Com esses resultados, os paranaenses foram para a final do torneio, contra o Villa Nova, campeão da Região Central. O jogo de ida foi disputado já em fevereiro de 1969 e Grêmio Maringá venceu por 2 x 0. Em Nova Lima, os paranaenses venciam por 2 x 1 quando a partida foi interrompida por falta de segurança. A CBD confirmou o título para o Galo.
Esse título deu ao Alvinegro do Norte do Paraná a oportunidade de disputar o Torneio dos Campeões da CBD, também chamado de Campeonato Nacional. Além do Grêmio Maringá, também faziam parte o Santos, campeão do Robertão de 1968, Botafogo, campeão da Taça Brasil, e o Sport Recife, vencedor do Torneio Norte-Nordeste (equivalente ao Centro-Sul).
Na primeira fase, os maringaenses enfrentaram os pernambucanos. Foram duas vitórias folgadas por 3 x 0, mostrando que a força do Galo não era apenas regional. Na segunda fase, o adversário era o fortíssimo Santos de Pelé. No primeiro jogo, empate em 1 x 1. No segundo, empate em 2 x 2. Os santistas não se esforçaram para comprometer mais uma data em nome de um jogo-extra de um torneio não-oficial e renunciaram à partida desempate. A classificação paranaense foi confirmada pela CBD. Posteriormente, o duelo contra o Botafogo também foi cancelado e o Galo foi proclamado campeão do Torneio de Campeões da CBD.
Mais que o título, o importante foi que o Grêmio Maringá encarou o melhor time do Brasil na época, empatando as duas partidas e provando que era, de fato, tinha condições de jogar em alto nível. Hoje, esse já seria um grande feito para um time do interior do Paraná. Na década de 1960, era o suficiente para ficar na história como uma das grandes façanhas do futebol paranaense.
Ubiratan Leal