Não faltou pompa. Foi reservado o salão de convenções em um hotel no Rio de Janeiro, com espaços anexos para imprensa e almoço dos convidados. A Sportv também entrou na onda, montando um estúdio para transmitir o Arena Sportv in loco. Foi assim que a CBF, ou melhor, o Comitê de Candidatura da Copa do Mundo de 2014 realizou o seminário de apresentação das necessidades para organizar o torneio. Só faltou convidar as pessoas certas. Ou, então, ficou dado um recado bastante perigoso.
Primeiro, é preciso o leitor entender o que foi tal convescote no último dia 9. A CBF, ou melhor, o Comitê de Candidatura da Copa do Mundo de 2014 chamou representantes de todos os Estados ou cidades que se consideram sedes em potencial para o torneio para explicar a todos o que deve ser feito no preenchimento do caderno de encargos. Deram palestras Ricardo Teixeira, Jim Brown (diretor de competições da Fifa), Luís Fernando Lima (diretor de esportes da Rede Globo), Orlando Silva Júnior (ministro dos esportes), Luciano Huck (isso mesmo!) e Rui Rodrigues (diretor da MPM, empresa que contratada pelo Comitê de Candidatura).
Todos, à exceção de Luciano Huck, foram enfáticos em falar sobre a grandiosidade de uma Copa do Mundo e a necessidade de atender aos prazos estabelecidos pela Fifa. Alguns dos convidades – em geral, secretários de esportes ou de obras das administrações que representam – se mostraram surpresos com o tamanho do “monstro”. Outros procuraram parecer seguros e confiantes.
Tudo ótimo. É realmente importante os governos saberem o que representa uma Copa do Mundo. No entanto, não anunciam que a iniciativa privada é quem vai financiar boa parte das obras do torneio? Então, cadê o empresariado? Por que não foram convidados representantes de sindicatos de empresas de construção, hotelaria, telecomunicações e eventuais patrocinadores? E os clubes?
Por mais que os governos tenham de dar aval para a realização de uma Copa, quem supostamente tem de colocar dinheiro não poderia ficar de fora do seminário. Pode ter sido apenas um equívoco. Também é possível que a iniciativa privada entre no processo em um momento mais avançado, por menos recomendável que isso seja.
No entanto, a sensação que dá é que o Comitê de Candidatura prefira trabalhar com governadores e prefeitos do que com diretores de empresas. Pelos modo como a CBF costuma ter bom trânsito entre políticos, essa opção parece a mais provável e o poder público, no final das contas, pode ser o responsável pelo planejamento e, claro, pelos gastos. Pior para a população.
Ubiratan Leal
Imagem: CBF News