A MLS parece cada vez mais consolidada como a liga que colocou o futebol na gama de esportes norte-americanos. No entanto, não se pode esquecer o papel da North American Soccer League, torneio que levou para os Estados Unidos alguns dos maiores craques do mundo na expectativa de fazer o soccer competir com futebol americano, beisebol e basquete na preferência dos estadunidenses. Uma liga que teve grandes momentos, mas morreu por não saber gerenciar seu próprio potencial.
Com o título mundial da Inglaterra em 1966, houve um grande apelo pelo futebol nos países de língua inglesa. Isso ocorreu também nos Estados Unidos e duas ligas foram criadas em 1967: United Soccer Association e National Professional Soccer League. A segunda era reconhecida pela Fifa e até tinha acertado com a rede de televisão CBS para que suas partidas fossem transmitidas para todo o país. Não deu certo e houve pouco apelo popular. Foi o suficiente, porém, para mostrar a investidores que havia um embrião.
Em 1968, a USA e a NPSL decidiram se fundir, criando a North American Soccer League. Para ter aceitação do público norte-americano, algumas regras do futebol foram adaptadas. O cronômetro era decrescente, jogos empatados eram decididos em shoot-out (solução semelhante à do hóquei adotada em 1974) e o impedimento era válido a partir de uma linha desenhada na intermediária. O sistema de pontuação era bizarro, com seis pontos por vitória, três por empate, nenhum por derrota e um extra para cada gol em vitória acima de três gols. Quando os shoot-outs foram institucionalizados, uma vitória nesse desempate valia apenas um ponto.

Desse modo, foi disputada a primeira edição da NASL com 17 times, divididos em quatro grupos. Divisão Atlântica: Atlanta Chiefs, Baltimore Bays, Boston Beacons, New York Generals e Washington Whips; Divisão dos Lagos: Chicago Mustangs, Cleveland Stokers, Detroit Cougars e Toronto Falcons; Divisão do Golfo: Dallas Tornado, Houston Stars, Kansas City Spurs e Saint Louis Stars; e Divisão do Pacífico: Los Angeles Wolves, Oakland Clippers, San Diego Toros e Vancouver Royals. O Atlanta foi campeão após bater o San Diego na decisão.
A primeira temporada não foi das mais felizes, com média de público de apenas 4.747 pagantes. Doze times fecharam as portas e apenas Atlanta, Baltimore, Dallas, Kansas City e Saint Louis participaram da edição de 1969. A liga, porém, não demorou a recuperar seu tamanho. Em 1971, apareceu o New York Cosmos. Também entraram Toronto, Montreal, Rochester, Washington, Miami e Filadélfia.
O grande salto ocorreu em 1974. Naquele ano, a liga convencera vários empresários que o soccer era um grande investimento. Vários clubes entraram na disputa, como San Jose Earthquakes, Los Angeles Aztecs, Washington Diplomats e Boston Minutemen. A NASL já tinha 15 equipes. A média de público, que teve um mínimo de 2.930 em 1970, foi para quase 6 mil em 1974, com tendência de crescimento.
A partir daí, a liga norte-americana passou a contratar estrelas mundiais. A maior foi Pelé, ícone do New York Cosmos. Mas também passaram pelos gramados (às vezes sintéticos) da NASL jogadores como Franz Beckenbauer, Johan Cruyff, Carlos Alberto Torres, Gordon Banks, Ruud Krol, Bobby Moore, Gerd Müller, Johan Neeskens, Rob Rensenbrink, George Best, Eusébio, Elías Figueroa, Alan Ball, Roberto Bettega, Giorgio Chinaglia, Dave Clements, Teófilo Cubillas, Kazimierz Deyna, Trevor Francis, Bruce Grobelaar, Geoff Hurst, Mark Hateley, Archie Gemmill, Romerito, Hugo Sánchez, Wim Suurbier, Nobby Stiles, Graeme Sounness

Com isso, a liga foi inchando. Em 1975, já eram 20 clubes. Em 1978, chegou a seu máximo: 24 participantes. E aí fica um sinal evidente de deslumbre e falta de planejamento de longo prazo. O New York Cosmos era um grande sucesso e atraía grandes públicos. A média de espectadores no Giants Stadium ultrapassava as 40 mil pessoas. Era, porém, um caso de exceção e os dirigentes da liga não souberam identificar isso. Várias equipes tinham média em torno de 5 mil e a média da liga nunca chegou a 15 mil (o recorde foi 14.201 em 1980).
Apesar de ser uma média de público decente, era muito pouco para sustentar uma liga tão numerosa que gastava tantos dólares contratando estrelas mundiais. Os grandes jogadores já deixavam os Estados Unidos, voltando para seus países ou para os principais centros europeus. Para piorar, a liga não previu um projeto para o desenvolvimento de atletas norte-americanos. Os jogadores nativos não tinham espaço no meio de craques internacionais e não apareciam. O vínculo com o torcedor era pequeno, limitado apenas ao show que podia ser cada partida.
Desse modo, a NASL foi minguando rapidamente. Os times não encontravam espaço em suas cidades e tentavam buscar novos mercados, se mudando constantemente. Depois de um tempo, muitos fechavam. Em 1982, a liga tinha apenas 14 equipes. Em 1983, 12. Em 1984, 9. Não dava mais. Depois deste ano, a North American Soccer League fechou as portas.
De qualquer forma, a NASL deixou um legado. Para o público médio norte-americano, a principal referência que se tem de futebol ainda é a liga que teve seu auge no final da década de 1970 e início da seguinte. Além disso, os equívocos cometidos foram muito evidentes, indicando a futuros dirigentes como se poderia investir em futebol nos Estados Unidos. Tanto que Alan Rothenberg, mentor da MLS e chefe da organização da Copa do Mundo de 1994, entrou no mundo do futebol como chefe de um grupo de investimento que comprou o Los Angeles Aztecs em 1977.
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Veja a lista de campeões da NASL: 1968 – Atlanta Chiefs; 1969 – Kansas City Spurs; 1970 – Rochester Lancers; 1971 – Dallas Tornado; 1972 – New York Cosmos; 1973 – Philadelphia Atoms; 1974 – Los Angeles Aztecs; 1975 – Tampa Bay Rowdies; 1976 – Toronto Metros-Croatia; 1977 e 78 – New York Cosmos; 1979 – Vancouver Whitecaps; 1980 – New York Cosmos; 1981 – Chicago Sting; 1982 – New York Cosmos; 1983 – Tulsa Roughnecks; e 1984 – Chicago Sting.
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Pelé foi eleito uma vez o melhor jogador da temporada. Foi em 1976. Curiosamente, ele não foi o brasileiro com mais glórias nesse aspecto. O atacante Carlos Metidieri foi o MVP da NASL em 1970 e 1971, defendendo o Rochester Lancers. Nenhum outro jogador conseguiu mais de um título de melhor jogador do ano nesta liga. Metidieri fez sua carreira nos Estados Unidos e chegou a defender a seleção norte-americana em duas oportunidades.
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Além do futebol, a NASL chegou a organizar um campeonato de indoor soccer entre 1979 e 1984.
Ubiratan Leal